sábado, 20 de julho de 2019

Youtuber Felipe Neto diz que é impossível defender o 'crápula' Bolsonaro e se dizer cristão


O youtuber Felipe Neto, que tem um dos maiores canais de comunicação do Brasil, mandou um recado aos que se dizem cristãos. Segundo ele, é impossível apoiar Jair Bolsonaro, que vomita ódio e preconceito todos os dias, e ainda assim se dizer cristão. "Como vc ainda pode defender esse crápula e ainda sentir que tem contato com a sua humanidade? Como você pode ficar ao lado desse indivíduo tomado pela maldade e se dizer CRISTÃO? Olhe para o Bolsonaro, olhe para o q ele diz, agora olhe para o lado onde vc está, por favor!", escreveu

Governador do Maranhão Fávio Dino diz que Bolsonaro cometeu crime ao chamar todos os nordestinos de Paraíbas


"Ouvi mais claramente o que disse o presidente da República. Parece chamar todos os nordestinos de 'paraíba' e me ameaça, com estranha raiva. Lamento e espero explicações, pois isso é algo realmente inédito e incompatível com a Constituição", disse o governador do Maranhão.  O governador do Maranhão, Flávio Dino, publicou vídeo na noite de ontem, em que fica claro o preconceito de Jair Bolsonaro com os nordestinos. No vídeo, Bolsonaro insulta o próprio povo brasileiro, ao se referir a todos os nordestinos, de forma pejorativa, como "paraíba". Bolsonaro também ofende o governador do Maranhão, que aponta a quebra de decoro e exige explicações. 

Ontem, os governador do Nordeste divulgaram carta conjunta. 
Nós governadores do Nordeste, em respeito à Constituição e à democracia, sempre buscamos manter produtiva relação institucional com o Governo Federal. Independentemente de normais diferenças políticas, o princípio federativo exige que os governos mantenham diálogo e convergências, a fim de que metas administrativas sejam concretizadas visando sempre melhorar a vida da população. Recebemos com espanto e profunda indignação a declaração do presidente da República transmitindo orientações de retaliação a governos estaduais, durante encontro com a imprensa internacional. Aguardamos esclarecimentos por parte da presidência da República e reiteramos nossa defesa da Federação e da democracia".

sábado, 13 de julho de 2019

Romper os grilhões da religião: revestir-se de compaixão, e sermos próximo que ama e protege os feridos da nossa sociedade (Lc. 10,25-37)


Jesus rompe com a crença religiosa segundo a qual Deus vem em primeiro lugar, e os homens em segundo. A Deus caberia amor absoluto, e aos homens só amor relativo. Mas Jesus não separa os dois amores. E nem os coloca um acima do outro. O amor a Deus e o amor ao próximo caminham juntos e fazem sentido só se um revela o outro. Afinal, já São João nos dizia ‘como podemos afirmar que amamos Deus que não vemos, se não sabemos amar o irmão que vemos?’ 
No evangelho de hoje Jesus critica diretamente os ‘promotores da falsa religião’. Os que separam o amor a Deus da compaixão para com os homens, principalmente quando necessitados. Critica aqueles religiosos hipócritas que por defenderem a pureza das normas e a obediência aos preceitos religiosos que eles mesmos inventaram, ignoram os feridos, os abandonados, os perseguidos que vivem ao seu lado. Jesus não quer uma igreja preocupada com a sua manutenção e administração. Que brilha pela beleza de suas liturgias e suas vestimentas. Ou que se preocupa com um dízimo polpudo desligado da solidariedade. Jesus quer pessoas revestidas de compaixão. Porque Deus é compaixão! Que tenham a coragem de se abaixar para tratar as feridas do ódio, as chagas da intolerância e o câncer da indiferença e devolver a dignidade a quantos são agredidos cotidianamente. Deus não é amado mediante lindos louvores ou através de belas e longas adorações, e sim, mediante a prática da misericórdia. O nosso próximo são todos aqueles humanos que nos assistem e protegem por puro amor. Que não têm nojo de nos carregar em seus braços quando fedemos a desprezo e a humilhação. Afinal, onde há amor verdadeiro, lá Deus está!

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Também o sábio cantor Cali Guajajara se foi. Fica conosco, amigo!

Cali Guajajara é o terceiro da esquerda para a direita
Cali, incansável cantor  e guardião da identidade Guajajara
Era sempre uma alegria rever o velho e simpático amigo Cali Guajajara, na aldeia Bacurizinho. Provocador, perspicaz, e brincalhão na medida certa, a casa dele se havia tornado, para mim, uma parada obrigatória. Era uma obrigação moral levar sempre alguns pães que ele adorava, algo que nem sempre eu fazia...E ele cobrava, justamente, sempre em tom de brincadeira, fingindo que estava chateado. Além dessa ‘simpática cobrança’ quase sempre me pedia como presente uma máquina de costura, mesmo que usada, algo que nunca levei à sério, imaginando que fosse uma simples provocação. Ao contrário, descobri, mais tarde, que ele era um costureiro habilidoso mesmo! Dizia para ele que era mais conveniente comprar calção e camiseta dos chineses do que comprar tecido e fio para costurar e produzir. Saía mais em conta Ele me chamada de ‘ruim’, de ‘mão de vaca’....Ah, quanta saudade daqueles momentos de descontração e de companhia agradável, principalmente quando o convidava a entrar no carro, e nos acompanhar nas visitas às aldeias próximas. Em todas as aldeias ele dizia que tinha parentes. E era isso mesmo: sobrinhas, primas...Havia nascido na pequena aldeia da Pedra, bem próxima de Bacurizinho. Lembro as lágrimas de Cali ao narrar o enterro do irmão dele, o grande Abraão, no ano passado. Mostrava as fotos, e os vídeos daquele momento de tristeza. Uma geração de Guajajara que, aos pouco, está nos deixando, mas deixando em herança um legado inestimável que poucos karaiw conhecem, e saberiam apreciar...

A última vez que passei por Bacurizinho foi três semanas atrás. Já era um pouco tarde, mas mesmo assim, decidimos passar por lá, e dar um alô ao amigo. Estava deitado na rede. Entrei com o intuito de surpreendê-lo e, ao vê-lo deitado reclamei que ele estava ficando velho e preguiçoso. Levantou sorrindo, nos abraçamos e nos beliscamos como sempre fazíamos. Um mais zuadento que o outro. Nem nos despedimos, pois o reencontro já estava planejado para o mês seguinte... 

Hoje de manhã, Cali nos deixou, mas foi só fisicamente. A notícia, via wattsapp, me deixou atônito. Uma triste e inesperada surpresa. Agora, ao relembrar os momentos gostosos, alegres, vivos, sinto que ele está querendo brincar novamente, inclusive com a sua própria morte. Ele sabe que a sua ausência física não irá significar sumiço e desaparecimento para todos aqueles que o conheceram e estimaram. Ele, no céu, já deve ter arrumado uma baita de algazarra. Afinal, por onde chega Cali, junto vem a sua alegria contagiante. A sua fina ironia deve ter mexido até com o Administrador Maior da Eternidade. Tenho certeza que foi recebido pelo numeroso exército dos guerreiros Guajajara que lá estão. E, agora, juntos, empunhando o maracá da esperança estão cantando melodias que falam da vida que não conhece fim! 
Vá em paz, Cali, mas fica sempre entre nós, sábio amigo!

sábado, 6 de julho de 2019

Terras indígenas no Maranhão sempre mais invadidas....Invasores se sentem respaldados pelo Bozo!

A Funai realizou nesta quarta-feira (3) uma operação no Maranhão para coibir a invasão e exploração de terras indígenas. A operação ocorreu na Terra Indígena Awá; e em áreas próximas, como as terras do Caru, Alto Turiaçu e Arariboia. Já foram apreendidas motos e caminhões de madeireiros; e pessoas portando estacas foram conduzidas à polícia do município do Bom Jardim. A Fundação Nacional do Índio conta com o apoio da Secretaria de Segurança Pública do Estado. As buscam contam também com o suporte de indígenas da região. Chamados de “Guardiões Indígenas”, eles recebem treinamento para usar tecnologias que possam ajudar na identificação dos locais invadidos, como GPSs e Drones; e são considerados pela Funai como peça fundamental nas operações. 

A Fundação destaca ainda que as invasões colocam em risco, especialmente, os grupos de indígenas isolados que ainda vivem na região. Segundo o órgão, as operações nos territórios Awá e arredores devem ocorrer ao longo de todo o ano. Homologada em 2005, a terra Indígena Awá tem sido alvo de invasores e posseiros que continuam atuando na região. No início do ano, a Funai identificou articulações para novas invasões. Esta já é a terceira operação deflagrada na região neste ano. Nas primeiras ações, foram apreendidos em flagrantes pessoas extraindo madeira, e realizando caça e pesca ilegal. Cinco serrarias clandestinas foram fechadas; armas e munições foram apreendidas, além de ter sido feita a retirada do gado criado pelos invasores na terra indígena.  (Fonte: Rádio Nacional)

14º domingo comum- Missionari@s sem frescuras! (Lc. 10, 1-12.17-20)


Jesus tinha enviado os doze para a sua missão itinerante. Mas a missão resultou num fracasso estrondoso. O mestre, porém, não desanima. Muda de metodologia. Agora ele escolhe um discípulo de cada povo e cultura pagã. Setenta e dois eram os povos pagãos segundo a mentalidade da época. Um modo claro para dizer que com Jesus todos são chamados a colaborar com todos, em todos os lugares. A construção da ‘governança de Deus’ não exige categorias especiais, padres, religiosos, freiras, mas todos são chamados a ser operários ativos na grande messe! E tendo uma nova atitude. E com a consciência de que são enviados numa sociedade dominadas lobos que agridem, atacam e matam. Todos, missionários e missionárias, são enviados a visitar todas as cidades, e todas as casas. Sem pular ou excluir esta ou aquela. Visitar, curar, anunciar, e libertar sem impor condições. Sem qualquer tipo de restrição alimentar, religiosa, ideológica. Ou seja, missionários sem frescuras! Abertos para se adaptar a tudo o que lhes for oferecido. No mais pleno respeito. É oferecimento de paz, de libertação e de esperança. Nada de ameaças divinas para quem resiste! Aceita quem quiser. O importante é não perder tempo. E deixar claro que o novo jeito de governar de Deus, - e não o jeito de governar dos lobos, - está próximo. Está ao alcance de todas as pessoas. O nosso evangelista nos informa que a resposta do povo foi diferente daquela que havia sido reservada aos doze. Quando todos se sentem enviados, - e não somente um grupinho, - a realidade se transforma. Até os demônios obedecem. E o próprio Satanás, o acusador, o traidor, o tentador inveterado é precipitado e vencido!

segunda-feira, 1 de julho de 2019

A Marcha para Jesus e o avesso do avesso do avesso das religiões por Dora Incontri


Causa choque em muitos cristãos um evento como a Marcha para Jesus, onde em nome da mensagem do Nazareno, defende-se o armamento da população, a discriminação, a violência do Estado… Mas o mesmo podemos perguntar: como a mensagem de paz e compaixão de Jesus se transformou na Inquisição, nas Cruzadas… como a sua mensagem de desapego e simplicidade se transformou no ouro do Vaticano? 
Como nações que se dizem cristãs até hoje se locupletam na exploração dos povos, como praticaram e ainda praticam a escravidão? Como, particularizando mais, a Reforma protestante que se firmou com Lutero na crítica à exploração financeira da fé (na época as indulgências vendidas pela Igreja Católica) tem como descendentes Malafaia, Edir Macedo e outros tantos, que comercializam a fé do povo? Como, logo depois da morte de Francisco de Assis, um exemplo de não-violência, desprendimento e amor, muitos de seus continuadores se integraram de boa vontade ao luxo da Igreja e participaram da Inquisição que nascia naquele momento, contra o movimento dos cátaros, no sul da França?  É bem verdade que parte dos primeiros seguidores de Francisco se negaram a seguir essa onda que se afastava tanto de Jesus e de seu Pobrezinho de Assis e é fato que até hoje a ordem franciscana representa dentro da Igreja Católica uma vertente progressista. Mas é verdade que o que Francisco sonhou não foi cumprido até hoje pela Igreja que ele pretendeu reconstruir, segundo a voz que ouviu. 
Mais adiante, como, no espiritismo, a proposta de Kardec, que era naturalizar, democratizar e racionalizar a mediunidade, para que o contato com o mundo espiritual não fosse mais objeto de exploração, submissão e fanatismo se transformou nesse movimento espírita brasileiro em que médiuns pontificam com argumentos de autoridade e se colocam acima das críticas, na posição de lideranças narcísicas e reverenciadas? Como uma filosofia que nasceu progressista, igualitária, crítica se transformou majoritariamente num movimento conservador e apoiador de propostas reacionárias e autoritárias? Eu pensava sempre que os budistas tinham sido uma exceção nesse sentido, mas me enganei. Porque também podemos nos indagar, como a mensagem de Sidarta Gautama, de compaixão e respeito a todas as formas de vida, pode servir de justificativa para que radicais budistas ataquem cristãos e muçulmanos no Sri Lanka? O que significa esse afastamento brutal dos ensinos mais essenciais dos grandes mestres, da incompreensão e deturpação das mais diversas formas de espiritualidade? 

Levanto aqui uma análise de que tomo emprestado alguns conceitos psicanalíticos. Nosso instinto primitivista, nossas pulsões básicas, em que a agressividade e a morte têm grande força em nosso inconsciente, são zonas muito profundas da nossa natureza. As religiões nos acenam com modelos de paz, santidade, virtude moral… mas geralmente essa moralidade, traduzida por instituições hierarquizadas, por dogmas irracionais – e não mais pelo exemplo livre, contagiante e verdadeiro dos grandes mestres – acaba por reprimir e não transformar de fato as pessoas. Temos, portanto, muito mais hipócritas religiosos do que pessoas de fato elevadas moralmente, capazes de sentir compaixão, empatia e amor universal. Por isso mesmo, Jesus atacou os fariseus e foi duro com eles e acolhedor com todos os supostos pecadores e com todos marginalizados pela sociedade de sua época.

A boa notícia, entretanto, é que se todos almejam essa altura moral, mas se deixam ainda invadir pelas paixões, pelo instinto de destrutividade, pelo desejo de poder, então é porque no fundo, sabem o que é moral, o que é justo, o que é bom. Aliás, apenas uma pequena parcela da população é psicopata a ponto de não ter nenhuma noção do bem e do mal e nenhuma capacidade de empatia. Isso significa que a maioria dos que que não se indignam com a atitude de um Moro, que apoiam a tortura e a pena de morte, que parecem não ter nenhuma noção de justiça, mas se dizem cristãos e são capazes de amar os próximos mais próximos, estão na zona fronteiriça dos que querem o bem, mas fazem o mal – como o próprio Paulo dizia fazer. Tiro uma frase muito pertinente do filme Lutero, em que o confessor dele lhe diz: o problema é mais odiar o mal do que amar o bem.
Às vezes, o suposto ódio ao mal se transforma num afastamento completo do bem.