segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Maranhão indígena - Famílias que ocupavam as terras dos Awá se organizam para re-invadi-las


Tudo começou com um convite às famílias ‘que sofreram desintrusão da Terra Indígena Awá no dia 06 de janeiro de 2014 a se encontrarem no dia 13 deste no povoado Maguary, no Clube do Sr. Misael’, em São João do Caru (MA). O contexto sócio-geográfico é a região que abrange os municípios de São João do Caru, Zé Doca, Governador Newton Belo e Centro Novo. No convite são citadas várias personalidades governamentais e não, menos a FUNAI e os próprios indígenas, naturalmente. O que poderia ser um inócuo encontro de famílias que se encontram para refletir e discutir o seu futuro como posseiros produtores poderá significar, ao contrário, o início de um grande e perigoso movimento para retomar as terras indígenas ocupadas ilegalmente, outrora, por elas. Vários indícios apontam para isso. O primeiro e mais lógico é que o recém empossado presidente da República e seus colaboradores vêm dando reiteradas declarações contra direitos indígenas que pareciam consolidados. Isto vem dando asas aos desejos e às cobiças de um exército de grupos, empresas, mineradores, camponeses de olho nas terras indígenas, e desejosos de explorá-las com a oculta convicção de que terão o tácito apoio do governo federal e seus funcionários. O segundo indício é de que entre os lideres que vêm mobilizando aquelas famílias há alguns bem conhecidos que se destacaram como elementos recalcitrantes, e que jamais se conformaram com as decisões da Justiça Federal. É bom lembrar que muitas das famílias que vinham ocupando as terras dos Awá estavam no local de ‘má fé’, ou seja, entraram e invadiram as terras mesmo sabendo que estavam interditadas. Muitas delas com o intuito de receber indenização ou confiantes nas omissões e negligências históricas da justiça, o que não ocorreu, nesse caso específico. Outro fator instigador do grupo pode ter sido a incapacidade dos órgãos governamentais (INCRA) e/ou sindicais (FETAEMA) de reassentar adequadamente as famílias cadastradas dando-lhes munição para iniciar esse movimento de volta. Seja o que for, o caldo que vem sendo preparado é uma perigosa mistura de ressentimento, atrevimento e desaforo para com a justiça que já garantiu e registrou como Patrimônio da União terra para os índios Awá. Sabe-se que os índios da região, - e não somente os Awá, - vêm acompanhando esse movimento que já não esconde suas intenções de reverter o que já foi definitivamente consagrado e garantido por lei. A palavra de ordem, hoje em dia, entre indígenas e seus aliados é RESISTÊNCIA. Espera-se que tudo seja resolvido priorizando o bom senso e o pleno e rigoroso respeito à justiça. Caso não ocorrer já se sabe quem são os transgressores! 

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