quarta-feira, 22 de julho de 2026

A praga das bets. Artigo de André Islabão

 Agora que a Copa do Mundo acabou de maneira constrangedora para os brasileiros, um dos assuntos mais quentes é a discussão sobre a praga das apostas virtuais (as chamadas "bets") e os danos que elas causam à sociedade. Para quem ainda não sabe, o vício em jogo já é bem estabelecido como uma doença mental (o transtorno do jogo ou ludopatia) e pode causar tantos males à saúde quanto o vício em cigarros, álcool, drogas e outras tantas adicções.

Porém, as chamadas bets representam algo muito mais pernicioso para a sociedade, uma vez que a tentação está sempre presente na tela do smartphone ou computador do usuário, o que garante que o vício seja perpetuado por meio de um círculo vicioso alimentado por doses generosas de ganância e dopamina. É basicamente como ter um traficante de drogas dentro de casa e sempre à disposição.

As histórias de pessoas que perdem as economias de uma vida em apostas virtuais ou que cometem suicídio em decorrência disso têm aumentado de maneira assustadora, não deixando dúvida de que o vício em bets representa um problema gigante em termos de saúde pública. Para se ter uma ideia, um levantamento nacional sobre o assunto mostrou que mais de 10 milhões de pessoas apresentam problemas relacionados ao jogo no Brasil, muitas vezes envolvendo as apostas virtuais, o que desencadeia doenças mentais graves e dificuldades financeiras que envolvem não apenas o paciente e a família, mas toda a sociedade.

As pesquisas também mostram que o país gasta mais em apostas virtuais do que em saúde pública. O gasto com as bets em 2026 já passa de incríveis 30 bilhões mensais, enquanto o orçamento mensal do SUS não chega a 20 bilhões. A simples observação desses números deixa claro que vivemos em uma sociedade absurdamente adoecida. Para piorar, gastamos duplamente com as bets: gastamos bilhões ao fazer as apostas e depois gastamos mais um tanto para oferecer atendimento a uma população cada vez mais viciada.

Para quem ainda acredite na lisura dessas apostas virtuais, é interessante observar um estudo de 2023-2024 realizado pelo Itaú após analisar, durante um período de 12 meses, as movimentações financeiras envolvidas na jogatina desvairada: enquanto os brasileiros gastaram nada menos que 68 bilhões em apostas, os prêmios arrecadados pelos poucos felizardos somaram escassos 200 milhões. Ou seja, as casas de apostas embolsaram descaradamente bilhões de reais dos jogadores incautos.

Mas o problema mais grave envolvendo as chamadas bets e a sociedade talvez seja a desfaçatez com que lidamos com o problema. Enquanto os profissionais de saúde lidam diariamente com um número crescente de doenças relacionadas ao vício em jogo, a sociedade segue aplaudindo exatamente aquelas pessoas que só fazem piorar o problema, ou seja, todos aqueles que aceitam dinheiro das empresas de apostas virtuais para fazer propaganda da jogatina e levar as pessoas e a sociedade à bancarrota econômica e moral.

Essas são as chamadas celebridades, aquelas pessoas que, muitas vezes por motivos alheios ao bom senso, a sociedade escolheu para serem celebradas e servirem de modelo à nação. Entre essas celebridades que canhestramente emprestam seu nome e imagem para a exploração das bets estão muitos jogadores de futebol, astros da música popular e apresentadores de programas de TV. O que todos eles têm em comum, além de uma queda por ganhar dinheiro fácil, é o descaso pelas consequências de suas decisões.

comentário do blogueiro - Tiro o chapéu para o craque de futebol francês, Mappé, que sempre vem se recusando a fazer qualquer tipo de publicidade em favor de Bets ou permitir o uso da sua imagem relacionada a essa praga....

 

Nenhum comentário: