Após
a segunda guerra mundial, meu pai com outros jovens deixaram o nosso povoado à
procura de trabalho nas minas de carvão mineral, na França. Naquele frio subsolo
respiravam pó de carvão, medo e preconceito. Mamãe fez o mesmo caminho com
outras jovens, mas na Suissa, trabalhando como mulher de limpeza, num hotel. Todos
eles sentiram na alma o que significou ‘ser estrangeiros’. Às vezes, tem-se a
impressão de que as ‘nossas’ segunda e terceira geração olvidaram que nossos
pais e avôs fizeram a indelével experiência de serem ‘oprimidos e maltratados’
em terra estrangeira, e reservam aos estrangeiros de hoje, em nossa própria
terra, a mesma xenofobia que os nossos antepassados sofreram outrora. Em muitos
casos, numa irracional generalização, os estrangeiros são considerados invasores,
responsáveis pela violência, pela crise econômica, pela intolerância e pelo
desmantelo cultural atual, tal como ocorria na época do Êxodo e do Israel de
Jesus. É o próprio Mestre que no evangelho de hoje nos diz que é preciso
interromper essa lógica. É preciso amar o nosso próximo, unilateralmente, sem
exigir reciprocidade. Amar não somente o parente biológico ou o membro da mesma
igreja, ou nação, mas quem ‘convive ao nosso lado’, que trabalha, chora e sonha
conosco, independentemente de sua origem, opção sexual, etnia e religião. O
amor e não o ódio, a compaixão e não a intolerância, têm o poder de nos transformar
em seres que aprendem a amar como o Pai ama seus filhos. Afinal, é amando os
filhos de Deus Pai que amamos Ele, diretamente!
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
XXX Domingo Comum - Não maltratem o 'estrangeiro'! Vocês se esquecem o quanto dói ser ignorado e excluído?
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