terça-feira, 7 de janeiro de 2014

CEBs - Francesco envia carta aos participantes do 13º inter-eclesial das Comunidades Eclesiais de Base: novo compromisso social em nome do evangelho!

Queridos irmãos e irmãs,
É com muita alegria que dirijo esta mensagem a todos os participantes no 13º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, que tem lugar entre os dias 7 e 11 de janeiro de 2014, na cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, sob o tema “Justiça e Profecia a Serviço da Vida”.... O lema deste encontro “CEBs, Romeiras do Reino, no Campo e na Cidade” deve soar como uma chamada para que estas assumam sempre mais o seu importantíssimo papel na missão Evangelizadora da Igreja. Como lembrava o Documento de Aparecida, as CEBs são um instrumento que permite ao povo “chegar a um conhecimento maior da Palavra de Deus, ao compromisso social em nome do Evangelho, ao surgimento de novos serviços leigos e à educação da fé dos adultos” (n.178). E recentemente, dirigindo-me a toda a Igreja, escrevia que as Comunidades de Base “trazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo que renovam a Igreja”, mas, para isso é preciso que elas “não percam o contato com esta realidade muito rica da paróquia local e que se integrem de bom grado na pastoral orgânica da Igreja particular” (Exort. Ap. Evangelii gaudium, 29). Queridos amigos, a evangelização é um dever de toda a Igreja, de todo o povo de Deus: todos devemos ser romeiros, no campo e na cidade, levando a alegria do Evangelho a cada homem e a cada mulher. Desejo do fundo do meu coração que as palavras de São Paulo: “Ai de mim se eu não pregar o Evangelho” (I Co 9,16) possam ecoar no coração de cada um de vocês!Por isso, confiando os trabalhos e os participantes do 13º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base à proteção de Nossa Senhora Aparecida, convido a todos a vivê-lo como um encontro de fé e de missão, de discípulos missionários que caminham com Jesus, anunciando e testemunhando com os pobres a profecia dos “novos céus e da nova terra”, ao conceder-lhes a minha Bênção Apostólica.(Fonte: IHU)

Indígenas - Krikati interditam BR e querem respeito!

Índios da etnia Krikati interditaram a rodovia MA-280 entre os municípios de Montes Altos e Sítio Novo e, ainda, derrubaram duas torres de alta-tensão da Eletronorte, localizadas na reserva. Esse é o segundo protesto dos indígenas em um período de quatro meses. Eles reclamam da falta de serviços básicos como saúde, educação e transporte. Os indígenas bloquearam a rodovia na manhã do domingo (5). No mesmo período, os indígenas atearam fogo e derrubaram duas torres de alta tensão da Eletronorte localizadas na área da reserva indígena. De acordo com as lideranças, elas já vêm reivindicando as melhorias há vários meses e, como não foram ouvidas, voltaram a promover a manifestação. Desde o início, a manifestação vem provocando grandes transtornos aos usuários da rodovia, principalmente, caminhoneiros que regularmente abastecem o comércio das cidades da região. Em Sítio Novo, donos de postos de combustíveis temem pelo desabastecimento. 
Comentário do blogueiro – É mais que evidente que tais manifestações indígenas irritam e criam indignação na população não indígena. Poucos, porém, compreendem que também ‘eles’, os índios,  podem se sentir indignados e irritados quando direitos básicos são reiteradamente ignorados. Hoje, infelizmente, esse tipo de manifestação indígena é a única forma que restou aos índios para dizer ao estado que existem e que são gente com direitos!

Sistema prisional - Breves...cabeludas!

Governadora aceita transferência de chefes de facções. Já vai tarde! - A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), aceitou o auxílio do Ministério da Justiça para conter a onda de violência no estado, segundo informou ao G1 o secretário de Segurança Pública do estado, Aluísio Mendes. No domingo (5), o governo federal ofereceu 25 vagas em presídios federais para os chefes das facções criminosas que estão no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Ao todo, 16 pessoas foram detidas entre domingo e a manhã desta segunda-feira (6) suspeitas de participação nos ataques a ônibus e delegacias em São Luís. "A governadora Roseana Sarney aceitou o auxílio desde que o ministro ligou para ela. Estamos, agora, analisando quem e quantos vamos mandar para outros presídios. Até amanhã fecharemos a lista. Tudo isso começa a ser encaminhado hoje. 

O diabo é o autor do caos nas prisões! - Enquanto isso, os evangélicos que prestam serviço religioso na penitenciária de Pedrinhas já identificaram o autor de todos os males, e do atual caos na cidade de São Luis: o diabo. Isso mesmo! Não existe reunião inter-disciplinar sem que eles coloquem com veemência que ‘os detentos estão vendo o diabo passar pelos corredores da penitenciária...’ Se assim é, a forma mais eficaz para acabar de vez com tanta violência e sofrimento é ‘prender o diabo’ ou exigir que os pastores tenham fé suficiente para ‘expulsar’ de vez ...’o maligno’! Haja paciência!

A força da infiltração evangélica no sistema prisional - Falando em evangélicos atuando nas nossas penitenciárias, fica sempre mais evidente que é uma estratégia que vai além do desejo de fazer proselitismo. Há um crescente movimento de infiltração de ‘evangélicos’ em todas as esferas do sistema prisional. Vemos até psicólogos que prestam serviço nas Pedrinhas andando de bíblia debaixo do sovaco. As explicações para tanta brutalidade não são os traumas e os complexos descritos por Freud, e sim...o.diabo! Até o coronel Alves, novo responsável pelo patrulhamento policial na cidade de São Luis era um convicto e atuante pastor de uma igreja evangélica na cidade de Balsas, e segundo informações, teria sido transferido por ‘excesso de zelo’ no exercício do seu trabalho...

Provocação e exibicionismo de força da PM nas revistas na penitenciária - O despreparo ou os equívocos pedagógicos da PM na sua atuação nas revistas praticadas cotidianamente na penitenciária de Pedrinha é assustador. Os PMs quando realizam  essas ações o fazem de forma violenta, desrespeitosa e altamente provocadora. Entram chutando, batendo, jogando tudo pelos ares, quebrando...Para quem observa esse comportamento fica evidente que o interesse não é descobrir armas brancas ou outros indícios de possíveis fugas, e sim, provocar os detentos tentando  mostrar que ‘eles detêm a força e o controle’. Lamentável!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Sistema prisional no Maranhão - Caos nas Pedrinhas. Uma análise.

No maior complexo penitenciário maranhense, o de Pedrinhas, em São Luís, foram registradas duas mortes somente este ano, além da fuga de um detento. No ano passado, 60 pessoas morreram no interior do presídio, incluindo três decapitações, segundo relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) O documento aponta uma série de irregularidades e violações de direitos humanos no local, como superlotação de celas, forte atuação de facções criminosas cuja marca é a "extrema violência" e abuso sexual praticado contra companheiras dos presos sem posto de comando nos pavilhões. Atualmente, 2.196 detentos estão presos no complexo penitenciário, que tem capacidade para 1.770 pessoas. ‘Não adianta achar, como muita gente diz, que é melhor deixar para lá situações como as que vêm ocorrendo no Maranhão porque, afinal, são bandidos matando bandidos. Na verdade, são cidadãos morrendo que, na prática, vão ajudar a manter o sentimento de medo e insegurança em todo o Brasil, trazendo prejuízos a toda a sociedade", disse o especialista em segurança pública Renato Sérgio Lima. Ele defende que a implementação de uma política eficiente nesta área precisa incluir a modernização dos presídios, que devem contar com unidades menores, capazes de garantir a separação dos presos de acordo com o tipo de delito cometido, o grau de violência verificado e a periculosidade que oferecem. "Sem isso, dificilmente vamos vencer essa batalha", ressaltou. Ele defende que presídios como o de Pedrinhas sejam interditados e passem por uma ampla reforma, que obedeça conceitos mais modernos de construção. Ele acredita que o reforço da Polícia Militar e da Força Nacional de Segurança em Pedrinhas não resolvem o problema, apenas funcionam como "curativo em uma ferida aberta. É preciso haver maior celeridade no julgamento dos detentos, para evitar a permanência prolongada e desnecessária de presos provisórios. Segundo ele, que citou dados do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública - publicação feita em conjunto com a Secretaria Nacional de Segurança Pública(Senasp) - no Brasil cerca de 40% dos presos estão nessa condição. No Maranhão, o índice é superior a 50%. "Com isso, a pessoa acaba presa por um tempo prolongado sem nem termos a certeza se ela é culpada. Enquanto isso, pode estar convivendo com outros presos de maior periculosidade, agravando o problema", disse.(Fonte: Agência Brasil)

Indígenas - Agora para demarcar terras indígenas é preciso consultar nove ministros. Direito não se negocia, reconhece-se!

As mudanças que o governo quer fazer nas regras para demarcação de terras indígenas no país submetem a criação de novas áreas à avaliação de nove ministérios, reduzindo o controle que a Funai (Fundação Nacional do Índio) tem sobre o processo. O assunto está em debate no governo desde o ano passado e agora parece estar perto de uma definição. Uma portaria com alterações no decreto que regulamenta a questão desde 1996 foi submetida pelo Ministério da Justiça a consultas e pode ser publicada nos próximos meses. Se for mantida como está, a portaria obrigará a Funai a ouvir outros órgãos sempre que quiser demarcar ou ampliar terras para uso exclusivo de comunidades indígenas. Se não houver acordo entre eles, caberá ao Ministério da Justiça o papel de mediador. No início de dezembro, o documento foi enviado para consulta de entidades indigenistas, órgãos do governo e associações de produtores rurais. O Ministério da Justiça promete oficinas para discutir as mudanças com índios, parlamentares e fazendeiros. Existe mais de uma centena de áreas indígenas em estudo na Funai atualmente. Elas se transformaram no ano passado num foco de atrito político entre o governo, os defensores dos índios e o agronegócio, que vê na expansão das terras indígenas uma ameaça aos seus interesses. O ministro afirma que os objetivos das mudanças são "reduzir a judicialização e agilizar a demarcação de terras indígenas", mas a portaria foi recebida com críticas em dois campos do debate. (Fonte: IHU)

Racismo - Negr@s, aqui, são tolerados desde que ocupem serviços subalternos! Assim pensam os muitos babacas de Nina Rodrigues

“Eu já desde muito nova queria fazer Medicina… só que Medicina é um curso impensável para as pessoas de onde eu venho, para as pessoas como eu sou, negra, mulher, pobre, Capão Redondo. Ninguém sonha ser médico lá. Eu insisti que queria fazer medicina.” Em seu texto sobre a polêmica dos médicos cubanos no Brasil e a reação de uma jornalista potiguar que escandalizou as redes sociais ao dizer que médicos cubanos pareciam “empregadas domésticas”, e que precisariam ter “postura de médico”, o que não acontecia com os profissionais cubanos, o professor Dennis de Oliveira sintetizou:“(…) ela expressou claramente o que pensa parte significativa dos segmentos sociais dominantes e médios do Brasil: para eles, negros e negras são tolerados desde que em serviços subalternos. Esta é a “tolerância” racial brasileira.” Essa mentalidade racista que sempre pressupôs o lugar do negro em nossa sociedade, contaminou milhares de jovens estudantes nas últimas muitas gerações. Isso somado ao descaso com a qualidade da educação pública faz com que, em sua grande maioria, jovens negros e/ou pobres sequer sonhem com universidades ou profissões “diferentes” daquelas nas quais percebem seus iguais. A classe médica (e média) que hoje não se constrange em manifestar seu preconceito racial é herdeira de Nina Rodrigues. Racista confesso, o renomado médico baiano tentava dar cientificidade à sua tese sobre as raças inferiores. Acreditava ele que os negros tinham capacidade mental limitada e uma tendência natural à criminalidade. Esses e outros absurdos podem ser observados em seu livro “As Raças Humanas e a Responsabilidade Penal no Brasil’. A população negra perfaz mais de 50% da população brasileira, mas entre os formados em medicina o percentual foi de 2,66% em 2010. Na USP, por exemplo, são comuns listas de aprovados nos vestibulares mais concorridos sem sequer um único auto-declarado negro, como foi o caso deste ano de 2013. Isso se repete na Bahia, onde mais 70% da população é negra. (Fonte: Carta Maior)

Desigualdade - No Brasil a pobreza tem cor!

A conexão entre a miséria e a origem racial é tão definitiva no País que programas de transferência de renda destinados a eliminar a extrema pobreza só poderiam fazê-lo ao beneficiar os negros, mesmo sem adotarem políticas afirmativas de raça. Dias atrás a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, divulgou um trabalho de decomposição dos beneficiários do Brasil Sem Miséria, que inclui o Bolsa Família, o Brasil Carinhoso e o Pronatec, entre outros. Cerca de três quartos dos beneficiados, mostra o levantamento, são negros. No início do Brasil Sem Miséria, em 2011, criado para alcançar a parcela da população apta a receber benefícios mas ainda não registrada no Cadastro Único, o ministério almejava incluir cerca de 16 milhões de brasileiros em situação de extrema pobreza. Segundo o IBGE, 71% eram pretos ou pardos à época. Natural, portanto, a pesquisa de 2013 revelar que os maiores beneficiados pelas políticas de transferência de renda têm a pele escura. De acordo com os dados divulgados por Tereza Campello, 73% dos cadastrados no Bolsa Família são pretos ou pardos autodeclarados. Em relação a outros benefícios, a proporção é ainda maior. Segundo a ministra, os dados são consequência da desigualdade racial no Brasil. “Embora não exerçamos uma política afirmativa de convocar os negros, eles acabam mais favorecidos por serem os mais vulneráveis”, comenta. “Estamos em uma luta aberta contra a discriminação dos pobres. Assim como alguns chamavam os escravos no Brasil de preguiçosos, muitos falam o mesmo de quem recebe benefícios do governo. Ao lutar contra o preconceito em relação aos pobres, construímos uma trajetória de cidadania para a população mais necessitada, de maioria negra.” Nos programas direcionados à população rural, a proporção de negros atendidos é ainda mais alta, consequência de sua maior concentração no campo. Nas cidades, 48% da população é negra, e no meio rural, 61%. Os programas Água para Todos e o Fomento às Atividades Produtivas têm entre seus beneficiados quase 80% de negros. No caso do Bolsa Verde, que complementa a renda de quem adota práticas sustentáveis, chega a 92%. (Fonte: Carta Capital)