quarta-feira, 15 de abril de 2026

É preciso repensar a atuação do Ministério dos Povos Indígenas. As aldeias continuam largadas e esquecidas!

A ministra do Povos Indígena Sônia Guajajara deixou o ministério para concorrer à sua reeleição como deputada federal, espaço que já era seu por direito, mas que nunca ocupou até o presente momento. Talvez, agora, até o período próprio de plena campanha, venha a exercer o mandato. Seja o que for, haveríamos de nos perguntar se a sua permanência ao longo desses três anos e meio fez a diferença para os povos indígenas do Maranhão. A primeira e instintual resposta é negativa. Algumas melhoras decorreram graças a uma série de decisões federais que independeram do planejamento e das decisões do Ministério dos Povos Indígenas. Certamente, as sedes físicas da FUNAI saíram do abandono a que estavam relegadas no governo passado e o quadro administrativo foi preenchido não por pessoas ligadas aos militares, mas por lideranças ligadas aos movimentos indígenas. Inicialmente, um tanto perdidos e inseguros diante do inédito, esses novos administradores e funcionários indígenas foram conhecendo aos poucos as entranhas e as armadilhas da máquina pública, ensaiando, testando, errando, corrigindo, sobrevivendo. Muitos outros elementos poderiam ser citados para confirmar que não houve imobilismo ou total ausência institucional, contudo, estamos longe de poder afirmar que o então inédito Ministério dos Povos Indígenas criado a seu tempo pelo governo Lula deixou um marco significativo, histórico, ao longo desses anos. Evidentemente, quem trabalha diretamente na máquina pública sabe melhor de quem olha de fora os engodos internos existentes, mas também é verdade que que está na base, nas aldeias, sentem na pele o que significa não ter estradas decentes, transporte, assistência na produção agrícola, artesanal, apoio no monitoramento e defesa dos territórios, fornecimento de água potável, educação escolar indígena de qualidade, assistência sanitária digna e muitos outros serviços que não apareceram ou foram realizados de forma muito precária, de forma que é difícil dizer que o Ministério exerceu uma influência e uma presença positiva junto às aldeias e que significou uma virada histórica. Estamos longe de poder afirmar isso! Acredito, também, que ao não corresponder às expectativas criadas, originalmente, - talvez excessivas, - tenha, ate, originado um certo mal-estar, nada bom em vista do futuro. 

Nesses anos, nas nossas andanças e colaborações com inúmeras comunidades indígenas pudemos constatar o quão longe estão uns dos outros: os funcionários e pensadores de políticas públicas específicas para os povos indígenas e os próprios indígenas que vivem, sobrevivem, lutam e trabalham para sair da...miséria, pelo menos nesse Estado! Foi justamente nesses dias que ouvi um relato de uma amiga que conheceu um alto funcionário da SESAI (Saúde Especial Indígena) do Maranhão em que ele mostrou o seu total desconhecimento da real situação de numerosas aldeias desse mesmo estado em que trabalha há mais de três anos. Ainda há um desencontro histórico e institucional. Não é suficiente colocar indígenas para cuidar de indígenas. É preciso muito mais. Não é questão só de orçamento, nem de eficiência administrativa. É preciso mergulhar nos dramas de famílias, de pais e de jovens produtores indígenas que se sentem abandonados, largados, invisibilizados não somente pelos administradores locais não indígenas, mas também pelos ‘seus’! Isso dói demais!

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