Um pastor, mesmo imperfeito, ou é bom no
exercício da sua profissão, ou deve ser chamado com outro nome: mercenário,
vendido, infiltrado. Não existem ‘maus pastores’, mas ‘aproveitadores,
irresponsáveis e manipuladores’ que desvirtuam grotescamente a sua profissão e
se tornam indignos de tal nome. Jesus, na versão de João, oferece algumas
características para diferenciar um pastor de um mercenário que, aparentemente,
exerce a mesma profissão. É próprio de um pastor conhecer as manhas e manias de
suas ovelhas; conhecer o seu nome, sua índole, suas qualidades, potencialidades
e defeitos; entrar em simbiose com suas ovelhas de forma que elas saibam diferenciar o
timbre de sua voz, o seu cheiro, o seu jeito de se aproximar e de cuidar. As ovelhas
podem divergir do pastor e ensaiar invadir outras pastagens, mas acabam confiando no pastor e escutando a sua voz porque ele lhes dá provas concretas de que as sabe
proteger e cuidar. É próprio de um mercenário infiltrado e disfarçado de pastor utilizar as ovelhas
para seus projetos e interesses pessoais. Ele ordena e manda nelas, não conduz e nem
educa. Ele pune a rebelde, ameaça e chantageia as demais. Afinal, ele não sente
as ovelhas como uma extensão de si mesmo. São mercadoria a ser exploradas e instrumentalizadas. As ovelhas percebem o seu duplo jogo,
sórdido e manipulador, cheio de subterfúgios e espertezas. Seu desprezo e seu jeito impessoal. Acabam se
dispersando, brigando e disputando entre si. Talvez tenha chegado a hora de as
ovelhas se livrarem dos lobos intocáveis que, disfarçadamente, estão no meio
delas, que pulam a cerca, mas não entram pela porteira!
sexta-feira, 24 de abril de 2026
IV domingo de Páscoa - Um pastor se não for bom, não é pastor, é mercenário e manipulador!
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