Desilusões
e decepções fazem parte da vida. Às vezes elas nos parecem uma vingança da vida
por termos acreditado, idealizado e sonhado demais! Parece que os discípulos de
Emaús tenham feito uma experiencia similar! Jesus havia sinalizado algo inédito
nas relações sociais de seus contemporâneos. Talvez eles esperassem uma
possível ruptura com o passado e com o presente daquela nação. A morte humilhante
do líder Jesus parece haver trazido todos os sonhos de mudança à crua
realidade. Os discípulos imaginavam que ao se afastarem de Jerusalém iriam esquecer, também, seus sentimentos de decepção. Contudo, na medida em que os dois discípulos se
afastam de Jerusalém, adquirem mais lucidez para entender o que lhes havia
acontecido. Já não é um exercício de mera recordação, mas um processo de conversão-revelação. Um ressignificar e um reviver de forma intensa, sacramental, gestos, palavras, relações de afeto e de compaixão
vivenciados com o crucificado Jesus. Compreendem que, agora, é este o pão que deveria ser partilhado e
doado. É reproduzindo as opções e gestos de Jesus que se alimentam esperanças! Não precisava mais se afastar de Jerusalém,
mas encarar o lugar da morte-decepção com outros olhos. Descobrir que no lugar
da humilhação poderia surgir esperança renovada e vida em abunddância. Só nesses momentos
reveladores que ‘os muitos’ discípulos/as decepcionados descobrem que o
‘peregrino’ Jesus sempre havia estado com eles ao longo do seu caminhar. Que Ele nunca havia se afastado deles!
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