quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Marcha abre o Fórum Social Temático em Porto Alegre. Justiça nos trilhos está lá!

Uma marcha bem plural abriu oficialmente a programação do Fórum Social Temático (FST) em Porto Alegre, ontem. Até domingo (29), deve reunir cerca de 30 mil pessoas em quase mil atividades. A marcha refletiu a diversidade dos debates que vão acontecer ao longo da semana, focados principalmente na crise econômica internacional e na preparação da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, marcada para junho. Logo na abertura do cortejo, ambientalistas declaravam a morte das florestas brasileiras por causa das mudanças no Código Florestal. Caixões com mudas de plantas foram levados pelo grupo durante o trajeto. “Cada vez agregamos mais segmentos nessa briga, outros movimentos sociais, inclusive os trabalhadores da agricultura familiar. Chega de hipocrisia, vamos denunciar toda essa chantagem que vem sendo feita pelos ruralistas contra o governo e contra a sociedade”, declarava o diretor de Políticas Públicas da organização não governamental SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani. Airmou que diante da aprovação do texto pelo Congresso Nacional, a sociedade civil não pode se calar e deve cobrar o veto da presidenta Dilma Rousseff. Integrantes da ‘Rede Justiça nos Trilhos’ também se fazem presentes em Porto Alegre e terão a oportunidade de apresentar em diferentes grupos temáticos a atuação da VALE que, diga-se de passagem, está ganhando o título de ‘pior empresa do mundo’. Nesse momento tem uma vantagem sobre a segunda colocada de cerca de 800 votos. Amanhã é o último dia. Votemos nela!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Chamad@s para ser 'boas novas'! (Mc. 1,14-20)

Descrição sucinta e hermética. De conteúdo contundente, alvissareiro e de amplo respiro. Assim poderíamos definir o trecho evangélico hodierno de Marcos. Por trás da descrição concisa uma densidade de atitudes, de conceitos, de posturas, de decisões. Com pinceladas rápidas e bem guiadas Marcos nos faz compreender o contexto do início da vida missionária de Jesus. Um ciclo histórico e profético havia se completado. O ‘velho testamento’ já fazia parte do passado. Voltava-se página, definitivamente. Inicia-se uma nova era para a humanidade, graças a Jesus. Mas graças também àqueles homens e mulheres que partilharam com Jesus os seus mesmos sonhos, suas visões e esperanças.
O ‘fenômeno’ Jesus de Nazaré tornou-se possível, portanto, graças também a um grupo inicial de pescadores da Galileia. Estes, desde logo, se identificaram com as expectativas do seu correligionário. ‘Seduzidos’ pelo seu jeito afável e firme e pela sua liderança iluminada, aderiram a ele e sustentaram-no. O evangelista é claro em afirmar que se de um lado a iniciativa de convocar este grupo inicial de seguidores partiu de Jesus, do outro lado, foi graças à adesão incondicional e radical desses ‘pescadores’ que tornou possível a inauguração de um momento novo. O anúncio libertário da ‘boa-nova’ para aquela massa dominada e excluída do Norte de Israel. Com Jesus, Deus iniciava o seu novo jeito de governar. E isso se tornou sinônimo de oferecimento de esperança radical no futuro construído pelo Deus de Jesus em favor daquele povo que só havia ouvido ‘más novas’. Nunca como antes, a realeza de Deus estava ao alcance das pessoas. Estava próxima, bem perto delas. Possível de ser ‘construída’ e usufruída. Tratava-se de compreender isso e investir maciçamente.
Sem abandonar, - no sentido literal do termo, - família, pais e emprego, esses pescadores começam a colocar como prioridade definitiva de sua vida a construção de uma humanidade justa, misericordiosa e fraterna. Com isso tornam-se eles mesmos, com Jesus, ‘boa-nova’ para os seus correligionários. Mostram como a salvação que eles esperavam e almejavam desde os tempos mais antigos começava e se realizava por seu próprio intermédio. Sem realizar grandes sinais, com realismo, na discrição do dia-a-dia, na assunção de suas responsabilidades sociais, familiares e religiosas, na firmeza dessa nova consciência-convicção muitos ‘ Pedro e André, João e Tiago’ tornaram definitivamente tangível o jeito novo de Deus estar com o seu povo, protegendo, acolhendo e guiando.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Votação eletrônica provisória indica que a VALE já é a 'PIOR EMPRESA' do mundo!

Seguem a pleno vapor as votações virtuais para escolher a pior empresa do mundo. A vencedora receberá simbolicamente o prêmio em Davos por ocasião do encontro dos países mais ricos do mundo. Nesse exato momento, dia 20 de janeiro, 13,46 h. a Vale está na frente. Só nesses últimos dois dias a empresa que se diz totalmente brasileira veio acumulando mais de 600 votos de internautas que a julgam como sendo a pior do mundo. A tendência é de que a margem venha a se ampliar a cada instante e se torne formalmente a pior empresa. Temos ainda cinco dias para consolidar essa tendência que parece ser irreversível. Tudo isso graças a uma ampla mobilização de cidadãos e cidadãs que conhecem o modo de agir 'pirata' da Vale no País e no mundo. Vamos dar esse merecido reconhecimeno à VALE! Não perca tempo e vote na Vale como pior empresa do mundo. Acesse o endereço aqui abaixo e dê o seu voto: http://www.publiceye.ch/en/vote/vale -

Morrem 12 crianças indígenas no Acre. Descaso ainda faz parte do cotidiano dos povos indígenas no Brasil

Chegou a doze o número de crianças indígenas mortas, no período de um mês, por possível contaminação viral – a suspeita é que seja rota vírus – em comunidades indígenas localizadas entre os municípios de Santa Rosa do Purus e Manoel Urbano, no Acre (AC). As vítimas são das etnias Hui Nukui (Kaxinawá) e Madjá (Kulina), do Alto Rio Purus. A Procuradoria Geral da República (PGR), por intermédio de sua 6ª Câmara, divulgou a notícia. O ministro da Saúde Alexandre Padilha, no entanto, declarou nesta quinta-feira (19) para a Agência Brasil que não confirma as mortes, mas “que não é a primeira vez que se registram casos de diarreia aguda na região” – uma fala arraigada de contradição e que revela a desinformação do governo federal. A situação não é isolada entre os povos indígenas do Acre. No Alto Juruá, região do município de Marechal Tamaturgo, distante cerca de mil quilômetros das aldeias onde morreram as doze crianças, o cacique Francisco Apolima-Arara declarou ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi) que até esta quarta-feira (18) duas crianças tinham morrido e outras cinco estão doentes, sendo levadas para assistência médica à cidade de Cruzeiro do Sul, maior município da região. Muitos se dizem surpresos e a imprensa local fala até em "mortes misteriosas". Porém, sabemos que o nome deste "mistério" é desassistência e abandono. A saúde indígena no Estado do Acre está um caos. Para que tenhamos uma ideia, lideranças indígenas representantes de todos os povos do Acre estiveram acampadas por nove meses na sede da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em Rio Branco, reivindicando melhorias no atendimento à saúde. Nada conseguiram, além de um encontro com um assessor do todo poderoso do Governo do Estado, conhecido como Carioca, que apenas os enrolou mais uma vez. (Fonte: CIMI)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Em entrevista ao IHU coordenadores da Rede Justiça nos Trilhos falam sobre problemas e impactos da siderurgia no Maranhão

O advogado Danilo Chammas e padre Dario Bossi da rede Justiça nos Trilhos em estrevista ao Instituto Humanitas Unisinos (IHU) - o prestigioso instituto dos Jesuítas no Brasil - falam sobre os impactos e os problemas sociais produzidos pela VALE e sócias no corredor Carajás.

'Açailândia encontra-se no profundo interior do Maranhão, onde as condições de investimento das grandes multinacionais são privilegiadas pela disponibilidade de terras a baixo preço, um bom abastecimento hídrico, a possibilidade de relações promíscuas com o mundo político e uma fiscalização ambiental quase ausente. Esses são os principais motivos que determinaram a instalação dos empreendimentos da Vale e de suas clientes privilegiadas: as siderúrgicas. Os maiores impactos socioambientais são a poluição de ar, água e solo devido às emissões de fornos industriais de carvão para a siderurgia (ao lado do assentamento Califórnia, com 268 famílias) e às emissões da própria produção siderúrgica (ao lado do povoado Piquiá de Baixo, com 320 famílias). Decorrem disso graves doenças pulmonares, alergias de pele, problemas aos olhos, cansaço. Há também impactos ligados à passagem da Estrada de Ferro Carajás - EFC no meio de povoados e bairros do município: uma pessoa por mês morre atropelada ao longo da EFC; dezenas de animais domésticos e silvestres são mortos em função de acidentes parecidos; ocorrem desmoronamento de poços, estrondos e buzinas ao passar constante do trem etc.Enfim, outros impactos estão aparecendo devido aos projetos de duplicação dos trilhos, isto é, à construção de uma segunda Ferrovia de Carajás ao lado daquela já existente. Com a construção dessa estrada, as empresas poderão lucrar mais rapidamente, pois escoarão o minério com trens de 400 vagões passando sem parar no meio do povo: os canteiros de obras estão trazendo conflitos, violência, prostituição de crianças e adolescentes, acidentes pelo número muito elevado de carros e máquinas nas proximidades das habitações. Há também ameaça de despejo de algumas famílias que ficariam próximas demais aos trilhos duplicados'. (Fonte: IHU)

IMPORTANTE: vote na Vale como pior empresa do mundo. Acesse o endereço aqui abaixo e dê o seu voto: http://www.publiceye.ch/en/vote/vale - Ela está quase ganhando. Falta o seu voto!


sábado, 14 de janeiro de 2012

Chamad@s a ser comunidade 'boa nova'! (Jo.1,35-42)


Muitas vezes fazemos a experiência de nos sentir auto-suficientes. Em tudo. Achamos que conhecemos tudo. Que temos que ter, nós mesmos, a última palavra. Que não precisamos da opinião ou do palpite de alguém. Principalmente se tem a ver com nossos comportamentos, atitudes e opções de vida. Afinal, achamos que somos suficientemente adultos para saber o que queremos da vida. Não aceitamos ‘atentados’ à nossa autonomia. Ao nosso pleno e livre arbítrio. O evangelho hodierno nos oferece uma verdadeira aula de ‘educação à vida’. O pedagogo, claro, mais uma vez, Jesus de Nazaré!
Estamos no contexto do Rio Jordão-deserto. Lá, João atuava como pregador de conversão de massa e profeta ‘batizador de mudanças’. Ele havia reunido um grupo de discípulos que partilhavam a sua visão de Deus e de nação. João, entretanto, percebeu que a irrupção de Jesus no seu ‘território-vida’ vinha produzindo nas pessoas novas expectativas. E novos modos de ver e encarar Deus. Muito diferentes dos seus. Uma pedagogia quase antagônica à sua. Jesus não ameaçava, não pressionava, não amedrontava. Apostava na persuasão, na força das motivações interiores. Aquelas que dão sentido ao existir humano. E o capacitam a enfrentar os monstros de fora e os fantasmas do seu profundo. Jesus acreditava, enfim, no poder da beleza da proposta de adesão aos valores que Deus vinha inspirando nas pessoas. João percebe que havia cumprido a sua missão. Que um ciclo em sua existência estava se encerrando. Que ele não tinha a última palavra da profecia e do testemunho. E se abre à novidade que Jesus mostrava. Mesmo sem compreendê-la plenamente. Sente que não podia nem pregar e nem testemunhar um Deus misericordioso e compassivo ao qual ele próprio não havia se convertido, mas que percebia como sendo o ‘único que fazia sentido’. E a Jesus dirige os seus discípulos. Abre mão do seu prestígio moral e da sua fama. E da sua aparente segurança profética. Renuncia até àqueles que lhe podiam garantir continuidade na sua pregação e nas suas visões de Deus. Nos seus dogmas de ‘limpeza religiosa’!Deixa de ser ‘auto-suficiente’ e não se fecha ao novo que está a desabrochar.
Jesus não recebe os discípulos de João como sua ‘propriedade particular’ pronta para ser integralmente ‘remodelada’ por ele. Pessoas que deviam ser embutidas dos seus novos e pessoais ensinamentos. Ou submetidas a uma espécie de lavagem cerebral como se fossem pessoas desprovidas de qualquer conhecimento, desejo e vontade. Ao contrário. Diante das indagações à procura de sentido dos discípulos, Jesus não dá fórmulas. Não oferece e nem impõe soluções. Ele indica, aponta como havia feito João com eles. Convida-os a ‘eles mesmos’ procurar, ver, conhecer, escolher. Coloca-se a disposição para facilitar e viabilizar uma experiência de ‘convivência’ com ele. Só posteriormente eles mesmos poderiam tomar, em plena liberdade, a sua decisão. A decisão de segui-lo ou de voltar atrás. Jesus age como um ‘mestre que caminha com’ e não como aquele que ‘caminha na frente de’. O próprio Jesus aprende com eles. Chama-os não para instruí-los. Nem simplesmente para ‘somar’ e se juntar a ele em vista de um objetivo pragmático específico, a construção do reino. Mas os chama também para indicar qual deverá ser a metodologia a ser adotada, ou seja, a de ‘estar e conviver’ com ele. Para se abastecer de fraternidade e comunhão interna. Para enfrentar como ‘comunidade paradigmática’ a aventura-missão da construção da nova sociedade. Para indicar que a nova sociedade-reino deve renunciar a toda forma de individualismo. De personalismo. De competição e rivalidade. De procura estúpida de prestígio e reconhecimento social. O mestre, e eterno discípulo do Pai, havia compreendido que só em comunidade o grupo podia ser ‘boa nova’ para as bilhões de ‘ilhas humanas’ pretensiosamente auto-suficientes!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Vale pressiona e Justiça intima populares sobre invasão à ferrovia

As lideranças dos bairros Nossa Senhora Aparecida (Invasão da Coca-Cola), Quilômetro Sete e Alzira Mutran já estão de sobreaviso: nada de manifestação em cima da linha do trem e nem de bloqueio da Estrada de Ferro Carajás (EFC), por onde a mineradora Vale escoa ao menos R$ 20 milhões numa só passada de seu monstrengo férreo. Quem decide é a Justiça Federal, Subseção Judiciária de Marabá. Na última quinta-feira (5), a juíza federal substituta plantonista Isaura Cristina de Oliveira Leite mandou intimar formal e diretamente Jeceilde Dias e outras sete pessoas, deixando também avisadas a quem interessar possa, para não cometerem o despautério de tomar a ferrovia, paralisando as atividades da empresa. Jeceilde, aliás, é cunhada de Ailton de Souza Bispo, 42 anos, cujo corpo foi encontrado na última quarta-feira (4) com a parte da perna direita decepada no quilômetro 729 da EFC, conforme noticiado na penúltima edição deste CORREIO. Os rumores de invasão à ferrovia teriam surgido porque, de acordo com um pedido liminar ajuizado pela mineradora Vale, na classe de interdito proibitório, o analista de segurança da empresa, identificado no processo de ação possessória como Sérgio Albert de Almeida Arouca, informou ter recebido telefonema de Jeceilde, dando conta de ameaça de invasão e bloqueio da estrada de ferro brevemente. Seria uma grande mobilização popular em protesto contra a morte de Ailton. Sem demora, a Vale tomou providências: acionou a Justiça Federal e moveu ação contra ela, bem como contra Ângela Maria Rodrigues, Débora do Alzira Mutran, Eliete Pinheiro da Silva, Ezequiel Dias da Cunha, Itair Souza Dourado, Jeânia Lima, João de Paiva de Souza, todos réus no processo. Por meio do interdito proibitório liminar, concedido pela juíza Isaura Cristina, pretende-se que as pessoas citadas se abstenham “da prática de atos que possam dificultar, impedir, turbar ou esbulhar a posse exercida sobre a Estrada de Ferro Carajás”, explorada pela Vale em razão de concessão dada pela União. A magistrada, além de deferir a medida liminar requerida e intimar os réus, autorizou, por antecipação, requisição de reforço policial no local para executar sua ordem.
Fonte: http://www.ctonline.com.br/noticias_leitura.php?id=3434&id_caderno=1