Uma mulher irá liderar a manifestação em frente da embaixada do Brasil em Londres, no dia 10 de dezembro, dia internacional dos Direitos Humanos da ONU, para pressionar o Brasil a salvar o povo Awá-Guajá (Maranhão) que tem o seu território sistematicamente invadido e saqueado. O corpo dela estará pintado com a frase: ‘Brasil: Salve os Awá’. Os manifestantes irão participar do protesto em Londres vestindo camisetas e portando cartazes com a mesma frase. Ações de protesto acontecerão também pela Europa, nas cidades de Berlim, Paris, Madrid, Milão, Roma e Amsterdã, e também em São Francisco, nos Estados Unidos. Quase 50.000 pessoas já escreveram para o ministro da Justiça do Brasil, Cardozo, desde que foi lançada, meses atrás, mais uma campanha para salvar o povo Awá-Guajá. Lamentavelmente, apesar do forte apelo do apoio público, quase oito meses após a determinação de a Justiça Federal conceder o prazo de um ano para encontrar uma área e reassentar as famílias que ocupam ilegalmente o território dos Awá, nada foi feito. As informações que chegam da região no município de Zé Doca, Maranhão, é de que os madeireiros continuam extraindo com um ritmo sempre mais acelerado e com máquinas sempre mais sofisticadas a madeira da terra Awá-Guajá. Nenhuma fiscalização está sendo realizada. O próprio órgão federal, o INCRA, até o presente momento não tem a menor idéia sobre a área onde iria reassentar as famílias que deverão sair da terra indígena que se encontra já demarcada e homologada.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Valdeci Tembé reaparece à aldeia, após ataque dos madeireiros e fuga pela mata
O líder indígena Valdeci, da etnia Tembé, morador da aldeia Cajueiro que havia desaparecido no sábado após ataque de madeireiros em Nova Esperança do Piriá, no nordeste do Pará, correu e andou 40 km pela mata, bebeu água da chuva, se feriu na floresta e pegou duas caronas até chegar de volta a sua aldeia, na noite de anteontem. As buscas pelo chefe tribal mobilizaram um helicóptero da Funai e cerca de 800 índios de sua etnia, que até a noite de ontem continuavam na floresta à procura do líder - sem comunicação, eles não puderam ser avisados sobre o seu reaparecimento. Em entrevista por um orelhão da aldeia Cajueiro, a 120 km de Paragominas, o líder tribal Valdeci Tembé, 43, disse que ele e dois fiscais do Ibama foram atacados a tiros na noite de sábado durante ação de combate à extração ilegal de madeira dentro da terra indígena do alto rio Guamá. Ele fugiu pela mata. Os fiscais foram mantidos reféns até a 1h de domingo, quando uma equipe do Ibama e a Polícia Militar chegaram ao local. Ninguém foi preso. "Por volta das 20h fomos abordados por mais ou menos 150 homens, todos armados e alcoolizados. Todos chegaram apontando armas para todos nós. Diziam assim: vamos te pegar e encher tua cara de bala. Não pensei duas vezes, tive que fugir." "Machuquei meus braços, a pele arranhou com espinhos. Eu estava de tênis, mas rasgou tudo. Água, Deus é bom, a região é montanhosa, bebi água depositada pelas chuvas nas folhas. Mas não tinha frutas, não comi nada." Segundo o chefe indígena, no percurso de 40 km ele passou por fazendas e duas vilas de assentamentos. Na vila do Braço Quebrado, se sentiu seguro e pediu ajuda. "O pessoal me deu abrigo e fui bem recebido", afirmou. A Polícia Federal investiga os ataques. O conflito na região aumentou há dois meses, quando índios acusaram madeireiros de roubar madeira que havia sido apreendida e estava na área. Os indígenas chegaram a colocar fogo em carros de madeireiros. Valdeci é um velho conhecido desse blogueiro! Fico feliz que esteja bem, mesmo que provado!
Enquanto isso, em Brasília.......índios se reuniram na capital, ontem, para exigir a demarcação de terras e entregar à Comissão de Direitos Humanos da Câmara um documento com 20 mil assinaturas em apoio à causa indígena. O ato também reivindica a rejeição da PEC 215 e o julgamento de todas as ações em andamento no STF (Supremo Tribunal Federal) que envolvam os direitos indígenas. A PEC 215, em tramitação na Câmara, transfere do Executivo para o Congresso a competência de aprovar a demarcação das terras indígenas, a criação de unidades de conservação e a titulação de terras quilombolas.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Em 10 anos os Países da Amazônia torram florestas equivalentes ao território da Grã-Bretanha. Brasil é responsável pelos 80,4 % do total destruído
Um estudo inédito realizado em nove países sul-americanos revela que, entre 2000 e 2010, a Amazônia perdeu 240 mil quilômetros quadrados de floresta, 3% de sua área total, o equivalente ao território da Grã-Bretanha. “É importante manter em evidência uma visão geral sobre o que está acontecendo na Amazônia”, disse à BBC Brasil Beto Ricardo, coordenador-geral do estudo. Ele explica que, embora haja muitos estudos sobre o desmatamento na Amazônia brasileira, ainda não haviam sido feitas avaliações que incorporassem as porções andina e guianense da floresta. Para o Brasil trata-se de um estudo especialmente importante porque boa parte das cabeceiras dos grandes rios amazônicos que cortam o país está em nações vizinhas, sobretudo as andinas, como Colômbia e Peru. “O que acontece lá nas nascentes afeta todo mundo aqui rio abaixo”, afirmou. Segundo o levantamento, entre 2000 e 2010, 80,4% do desmatamento da Amazônia ocorreu no Brasil, país que abriga 58,1% da floresta. Dono da segunda maior porção de cobertura florestal, com 13,1%, o Peru foi responsável por 6,2% do desmatamento no período, seguido pela Colômbia, que possui 8% da floresta e desmatou 5%. A pesquisa mostra, porém, que o ritmo de desflorestamento no Brasil e na maioria dos países sul-americanos tem se reduzido desde 2005.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Madeireiros atiram em índios Tembé, em fiscais do IBAMA e na PM do Pará. Os ladrões de madeira indígena são cada vez mais ousados!
Fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), policiais militares e índios foram alvo de tiros disparados por madeireiros na manhã deste domingo (2), na terra indígena Alto Rio Guamá, em Paragominas, no nordeste do Pará. A equipe de agentes fazia a retirada de madeira apreendida dentro do território de índios tembé. Durante o conflito, o cacique Valdeci Tembé teria desaparecido. O Ministério Público Federal (MPF) pediu apoio urgente para as polícias Federal e Militar do Pará para conter os madeireiros na região. Segundo informações do MPF, a madeira foi apreendida em 2011 depois de ser extraída ilegalmente de dentro da terra Indígena, mas só agora o Ibama pôde fazer cubagem, para posterior retirada. Os policiais e fiscais teriam sido surpreendidos pelos madeireiros, que atiraram contra a equipe. Ainda de acordo com o órgão federal, não há notícia de feridos, mas dois policiais militares e o índio Valdecir Tembé estão desaparecidos. O procurador da República Gustavo Henrique Oliveira, de Paragominas, está acompanhando o caso e enviou ofícios à Polícia Federal, ao Ibama, Funai, à Secretaria de Segurança Pública e ao Batalhão de Polícia Ambiental do Pará. Ele pede informações sobre a situação e reforço policial urgente na área, para localizar os desaparecidos e conter os madeireiros. “Há relatos de que os agentes foram rendidos e se encontram perdidos no local. A Funai informou, ao telefone, que os madeireiros retiveram as armas dos agentes. Um indígena está perdido. Solicito, com urgência, o apoio desse Batalhão, para conter os conflitos, resguardar a integridade das pessoas envolvidas e assegurar a madeira derrubada”, diz o ofício enviado hoje ao Batalhão de Polícia Ambiental. “Ressalto que os fiscais do Ibama e os policiais do BPA foram rendidos no local. Houve negociação para que fossem soltos. Porém, há relatos de que dois policiais continuam na Terra Indígena, perdidos”, disse no documento enviado à PF. Há também informações de que os madeireiros ficaram com as armas dos fiscais e dos policiais.(Fonte G1)
domingo, 2 de dezembro de 2012
Eutanásia planetária: as 'máquinas da UTI' estão sendo desligadas
Os mantos de gelo da Antártida e da Groenlândia estão em derretimento acelerado e perderam 4 trilhões de toneladas nas últimas duas décadas. O valor representa 20% da água que causou um aumento de 55 mm no nível dos mares nesse período. Os números vêm de um mutirão científico que produziu um número de consenso, ao reunir dados que antes pareciam discordantes. O problema deve se agravar nas próximas décadas, apesar de ainda não ser possível dizer o quanto. A situação mais preocupante, segundo o estudo, é na Groenlândia, onde a redução do manto de gelo é dois terços do total global. Na Antártida, a porção oriental do continente teve um tênue aumento em seu manto, mas as perdas ocorridas no lado ocidental foram muito maiores, fazendo o saldo ficar negativo. "A Groenlândia perde massa cinco vezes mais rápido hoje do que no início dos anos 1990", diz o geocientista Erik Ivins, da Nasa, co-líder do estudo."A Antártida parecia estar mais ou menos constante, mas na última década aparentemente sofreu uma aceleração de 50% na taxa de perda de gelo." Em entrevista coletiva anteontem, porém, os autores do estudo se disseram incapazes de prever quão rápido isso deve acontecer. Simulações de computador que tentam prever o aumento total do nível do mar até 2100 em razão do aquecimento global variam radicalmente. O último relatório do IPCC trabalha com uma variação entre 20 cm e 60 cm, mas previsões recentes mais sofisticadas indicam que o nível do mar pode subir de 75 cm a 1,85 metro neste século.
Comentário do blogueiro: Talvez estejamos ainda longe de ouvir o 'barulho do mar e das ondas, e desmaiar de medo' como falam as leituras apocalipticas do advento, mas parece clara a tendência da aceleração da morte silenciosa do planeta Gaia.Uma espécie de suicídio ou de eutanásia planetária. As máquinas da UTI estão sendo desligadas com o consentimento tácito dos filhos e filhas do planeta!
sábado, 1 de dezembro de 2012
‘Aquele dia’ é agora! Construir esperança nas ruas, e não nas salas de....espera! (Lc. 21,25-28. 34-36)
A tendência dos humanos diante dos grandes desafios e dramas da vida é a de fugir. Sentindo-se impotentes para resolvê-los os humanos tendem a se refugiarem num mundo ideal onde, supostamente, não existiriam mais as contradições e os sofrimentos do seu presente. O sonho de um mundo novo, livre de tudo isso tem acompanhado desde sempre o ser humano. Em todas as mitologias dos cinco continentes podemos constatar isso. O próprio passado quase sempre se apresenta como irreal e plenamente idealizado. Nele, originalmente, tudo era bonito, tudo funcionava bem. Até os bichos falavam e agiam como gente. E o futuro, aquele almejado, - e antagônico a um presente frustrante, - é visto como um mundo livre de toda dor, finalmente justo, e recompensador para todos aqueles que se mantiveram firmes, e não desanimaram. Nesse ‘novo paraíso’, feito de ‘novos céus e novas terras, e de novas criaturas’, o presente seria totalmente transformado, transfigurado e redimido. Em geral, tudo isso seria obra de um ‘deus’, ou de um ‘herói’, ou até fruto de um ‘processo evolutivo’ natural.
A essa altura, contudo, cabe uma pergunta: quem nos garante que essa idealização do passado e do futuro seria expressão de uma mera fuga de um presente frustrante? Ou expressão da impotência humana diante dos grandes desafios da história? E se fosse, por acaso, expressão da esperança inata que existe no ser humano? A de desejar e de construir um ‘futuro permanentemente transformado’ que o próprio ser humano colocou em risco? Acredito ser justamente essa visão que a narração evangélica de hoje e as propostas ao longo do período do advento querem provar. O evangelho hodierno, de fato, convida de maneira contundente a ‘erguer a cabeça, e a olhar para cima’. Ou seja, a tomar consciência da própria realidade em que os humanos se encontram, e saber encará-la com realismo e firmeza. Sem permitir que ela nos esmague. Sem fugirmos e nos esconder dela para. Sem nos refugiar em mundos idealizados e narcotizados. Para não desanimarmos diante do desafio de nós mesmos transformarmos um presente que continua sendo fonte de sofrimento e dor é fundamental que alimentemos a esperança. Esta não é uma forma de acreditarmos num herói ou num ‘deus’ e delegarmos a eles a realização de uma salvação que cabe a nós construirmos e realizar, mas é a maneira de alimentar essa nova consciência. A esperança deveria ser expressão da nossa plena convicção de que nos é possível reverter integralmente o que aparentemente parece já definido. A esperança mostra a nós humanos, agora, o que poderá acontecer num futuro próximo se transformarmos o presente segundo a ótica dos direitos à vida. Jesus de Nazaré, longe de ser um fanático e pregador idealista de um Reino idealizado, mostrou que há ‘brechas nas trincheiras do nosso presente’, e que a partir delas podemos, agora, construir ‘novos céus e novas terras’.
Há um ano atrás falecia em Salvador padre Franco Pellegrini, amigo e irmão!
Há exatamente um ano atrás, no dia 01 de dezembro de 2011, falecia o nosso amigo e confrade comboniano padre Franco Pellegrini, vítima de um acidente de trânsito em Salvador. O carro que dirigia foi investido por um micro-ônibus desgovernado. Reproduzo aqui abaixo a última parte da carta que ele, em vida, ´poderia ter escrito às comnidades de Salvador onde trabalhava. Franco, continue no nosso meio! Saudades!
'Com certeza muitos de vocês se lembram quando cheguei em 2004. Confiante e temeroso ao mesmo tempo. Foi um tempo de graça para mim. Realidade nova, mas só em parte. Nunca havia trabalhado aqui, mas como sempre havia acontecido ao longo da minha vida nessa terra, aqui encontrei gente generosa, dedicada, disposta a enfrentar todo tipo de desafio. Hoje, olhando para cada um de vocês me sinto de poder proclamar as mesmas palavras de Jesus o bom pastor: ‘Eu conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem’ Vocês sabem que há sinceridade no que digo. Procurei me colocar, mesmo com as minhas fragilidades, ao serviço de todos vocês, sem julgar e condenar, acreditando que somente unidos podemos construir um novo jeito de ser igreja, de ser família. Pode ser que para alguns tenha parecido duro ou até intolerante, mas acreditem, se isso ocorreu foi para manter fidelidade à prática evangélica de Jesus de Nazaré e a essa igreja que fez uma opção clara em favor dos pequenos. Acredito que a melhor forma para continuar a nos sentir unidos é reproduzir e multiplicar os mesmos gestos e as mesmas escolhas de Jesus: anunciar e testemunhar o Reino da vida, da paz verdadeira, da justiça, do respeito e do reconhecimento da dignidade de cada pessoa. Nisso poderemos nos sentir em permanente comunhão entre nós e com a humanidade, para além da morte, para além do tempo, para além de qualquer limite. Um eterno e saudoso abraço a todos vocês e que o Deus da vida vos proteja, vos guarde e vos abençoe.'
Padre Franco
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