quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Na vizinha Colômbia, nos últimos 20 dias foram assassinados 3 padres

Um sacerdote católico de 84 anos foi assassinado por desconhecidos no departamento colombiano de Caldas (oeste), e com ele, chega a três o número de padres mortos violentamente nos últimos 20 dias no país. A Prefeitura de Riosucio disse em sua página na Internet que o sacerdote “José Ancízar Mejía Palomino foi assassinado domingo, em sua casa”. No último dia 16 de janeiro, em Buga, departamento do Valle del Cauca, foi assassinado, também em sua moradia, o sacerdote José Francisco Vélez Echeverry, caso pelo qual já foi preso um homem. Sábado, 02, foi morto a tiros em Ocaña, norte de Santander, o padres Luis Alfredo Suárez, enquanto caminhava na rua. O Presidente da Conferência Episcopal da Colômbia, Cardeal Rubén Salazar, disse que 83 sacerdotes, cinco religiosas, três religiosos, três seminaristas, um arcebispo e um bispo foram assassinados na Colômbia desde 1984.“Infelizmente, a Igreja não escapa da situação de violência em que vive o país. Se todos os dias há tantos mortos, seria quase impossível que não houvesse um sacerdote entre eles” – disse, em coletiva à imprensa no início da Plenária do Episcopado. Em relação à Igreja, Dom Salazar disse que há no país uma quantidade de sacerdotes que estão ameaçados precisamente por seu trabalho evangelizador em certas áreas do país onde a lei está fora da ordem porque imperam leis de bandos criminosos, seja quais forem, e ali a obra da Igreja não é bem vista”. (Fonte: Rádio Vaticano)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

12 anos de 'presença ressurgida' de padre Carlo Ubbiali

Ao voltar com vários amigos de uma solenidade de formatura de um casal indígena que acabava de se formar em magistério, nas proximidades de Araguanã, no dia 04 de fevereiro de 2001, exatamente 12 anos atrás, vinha a falecer num acidente de carro o Padre Carlo Ubbiali, amigo, irmão e companheiro. Ele havia nascido em Brignano (Bergamo - Itália) aos 28 de junho de 1939.Após o curso preparatório é enviado pelo então bispo de Cremona, ao Brasil, na diocese de Viana, no estado do Maranhão. Padre Carlo chega a Viana num momento delicado. Após a morte do bispo Dom Francisco Hélio Campos, considerado pelo regime militar como bispo perigoso por ter assumido a causa dos direitos dos lavradores e pobres daquela terra, é nomeado bispo de Viana o capuchinho Adalberto Abílio Paulo da Silva. Padre Carlo após um breve período de serviço pastoral em São Vicente Ferrer transfere-se para Boa Vista do Gurupi, na diocese de Cândido Mendes, hoje Zé Doca. Começa a ter os primeiros contatos com a realidade indígena, pois Boa Vista era uma cidade muito freqüentada pelos índios Tembé, Ka' apor e Timbira que ocupavam a área Alto Turiaçu. Fundador do Regional CIMI -MA (Conselho Indigenista Missionário do Maranhão) começa a articular a pastoral indigenista nos estados do Maranhão e Tocantins e a desencadear campanhas e mobilizações. A mais significativa destas, e que marcou a vida do padre, foi a sua participação em 1981 na transferência de um grupo de índios Guajá, índios nômades e com poucos contatos, para garantir-lhes a integridade física na atual área Awá-Guajá. Além disso, em 1982 articula com outras personalidades e movimentos de São Luís e do Maranhão inúmeras mobilizações de resistência à instalação da Alumar, ao Projeto Carajás e à ferrovia que originou impactos nocivos aos povos indígenas e comunidades situados às suas margens. Em 1990 em ocasião da assembléia nacional do Cimi é eleito vice-presidente nacional da entidade, sendo presidente Dom Tomás Balduíno. O último sonho da vida dele era iniciar um projeto de educação formal dos índios Awá-Guajá e a criação de uma escola de Segundo Grau para os índios Guajajara na área indígena de Pindaré como forma de eles se tornarem artífices do seu futuro segundo seus valores, sua cultura, seus projetos de vida. Carlinho, você não morreu naqueles que, apesar de suas fragilidades, continuam levando adiante sonhos e projetos de vida e humanização!

No Brasil, assassinos de lideranças camponesas gozam ainda de impunidade e cumplicidade

Pesquisa feita pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) em 2011 aponta que apenas 8% dos casos de assassinatos ocorridos desde 1985 em conflitos agrários foram julgados pelo menos em primeira instância até abril daquele ano. No Paraná, dos 19 assassinatos ocorridos entre 1994 e 2009, apenas quatro foram julgados. Para Sérgio Sauer, relator do Direito Humano à Terra, ao Território e à Alimentação da Plataforma Dhesca Brasil, o julgamento e a responsabilização daqueles que violam direitos, principalmente os que dão ordens para os crimes, é fundamental: “O julgamento de um responsável, de um mandante, é a expressão literal da Justiça. Isto precisa ser feito no Brasil, inclusive como um passo para uma sociedade justa, que garante direitos”, garante Sauer, que também é professor da Universidade de Brasília (UnB).
O segundo júri popular de envolvidos no assassinato do trabalhador rural Sebastião Camargo, realizado nessa segunda-feira, dia 04, em Curitiba/PR, absolveu o integrante de uma milícia privada da União Democrática Ruralista – UDR, Augusto Barbosa da Costa, acusado de homicídio doloso. A maioria dos jurados reconheceu a participação do réu de forma efetiva e consciente no crime, portando arma de fogo e aderindo à mesma conduta dos demais presentes no despejo, mas assim mesmo votou pela absolvição do acusado. (Fonte: IHU)
Comentário do blogueiro: o júri popular de Curitiba desses dias, comprova o que a CPT vem dizendo...Se de um lado é questão de justiça, por outro fica sempre mais claro que o sonho-desejo de Reforma agrária no País já foi abandonado há muito tempo. Talvez hoje se mate menos do que nos anos 70 e 80, mas com certeza as vítimas do latifúndio e da grilagem pós-moderna são escolhidas a dedo por serem ‘qualificadas e referenciais’. Permanece, além disso, a mesma certeza de impunidade e de cumplicidade nas altas esferas....

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Pedofilia só na igreja?

O arcebispo de Los Angeles, José Gómez, divulgou na noite desta quinta-feira relatórios sobre casos de pedofilia que envolve uma centena de sacerdotes.Os 124 textos, divulgados na internet da Arquidiocese por uma decisão judicial de 2007, incluem 82 relatórios que contêm informações sobre acusações de pedofilia.O arcebispo afirmou no sítio que “estes abusos remontam a dezenas de anos atrás. Mas que isto não os torna menos graves”. “Estes documento são duros e difíceis de serem lidos. O comportamento descrito nestes relatórios é terrivelmente triste e diabólico. Não há desculpas, nem justificativas para o que aconteceu com estas crianças”, acrescentou. “Os sacerdotes implicados tinham o dever de protegê-las (as crianças), de serem seus pais espirituais e falharam”, acrescentou Gómez, que destacou: “devemos reconhecer hoje que houve terríveis infrações”. Nos últimos anos, a Igreja se viu envolvida em vários casos de acusações contra supostos padres pedófilos, especialmente nos Estados Unidos, onde um de cada quatro cidadãos se diz católico.

Comentário do blogueiro: se é verdade que pedofilia não é praga que existe somente na igreja católica (infelizmente) por que outras instituições que tiveram alguns de seus membros envolvidos nesse crime não publicam os nomes dos acusados? Se é verdade que muitos bispos não deram moleza a padres envolvidos com a pedofilia, e os suspenderam de suas funções, é também verdade que há ainda muita cumplicidade, inclusive no nosso Estado. Quem acompanha, sabe!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Profetas incômodos filhos e filhas de tantos 'Josés e Marias! (Lc. 4,21-30)

Ser profeta acarreta necessariamente a impopularidade e a rejeição. É preciso desconfiar quando uma pessoa consegue obter amplos consensos e altos níveis de aprovação. Às vezes, isto pode ser um claro indício de que ele tentou agradar a gregos e troianos. Que soube fazer média e teve jogo de cintura tal que, afinal, acabou não incomodando ninguém. Média e jogo diplomático que cheiram a cumplicidade e omissão. O profeta não aquele que proclama em alta voz o que o outro está pensando ou está desejando ouvir. Tampouco o profeta deseja ser forçosamente o ‘do contra’, mas tem consciência que o seu papel e missão é colocar o dedo nas feridas abertas da sociedade, da igreja, da família, da instituição, seja lá qual for. Profeta é aquele que consegue identificar as contradições, fazer emergir as incoerências, denunciar as ameaças, e alertar sobre eventuais retrocessos que colocam em risco a vida plena das pessoas e dos seres vivos. Ao mesmo tempo, porém, o profeta tem a ousadia de apontar com clareza e contundência o horizonte a ser seguido que, quase sempre, paradoxalmente, se distancia daquele almejado e esperado pela maioria das pessoas. Não existe, portanto, um profeta que não seja incômodo e impopular para quase todas as classes sociais. De fato, o profeta é tão livre que dificilmente ‘poupa’ alguém. Ninguém escapa da sua fúria transformadora: nem parentes, nem amigos, nem autoridades, nem os intocáveis da hora. O profeta é aquele que vive o momento presente como se fosse o determinante. A última chance que Deus dá à humanidade. Como não considerar ‘louca’ uma pessoa que age assim?

Apesar de Jesus de Nazaré ter assumido a sua consciência de profeta por ocasião do batismo, só na sinagoga de Nazaré, sua cidade natal, entre os seus, é que explicita as típicas características do ser profeta. As dos grandes profetas, aqueles que não são  assalariados, nem protegidos pelos palacianos, e nem bajuladores do alto clero e dos ‘sumos sacerdotes’. Dos profetas que percebem que este momento é ‘o momento de Deus’, a chance inédita e única que não se pode desperdiçar. A chance de reconhecer que Deus não é um ídolo construído a imagem e semelhança de uma elite religiosa narco-nacionalista, arrogante e presunçosa, mas que é o Deus de todos, dos ateus e dos pagãos estrangeiros, dos impuros e dos sem renda. A chance de provar que a salvação de um povo não vem por meio de um imaginário e fantasmagórico messias ungido nos palácios reais, mas vem dos filhos e filhas de tantos ‘Josés e Marias’, carpinteiros e marceneiros, lavradores e catadores, professores e lavadores, cujos familiares e primos são conhecidos por todos nós. De tantos profetas calados e silenciados, mas cujos gestos continuam apontando a direção para o mesmo e o único horizonte que os doutores e os escribas de hoje querem suprimir.   

Índios no Maranhão sempre mais ameaçados e esquecidos pelo 'poder público'!

Os índios Gavião, após enfrentar os madeireiros da região, denunciam que estão impedidos de entrar na cidade de Amarante, inclusive para estudar e receber atendimento médico. A estrada vicinal que corta a TI encontra-se interditada pelos índios, durante a noite, onde somente transitam pessoas doentes. Os índios afirmaram também que vereadores, a prefeita e secretários municipais tentaram negociar a liberação dos caminhões, inclusive propondo quantia em dinheiro para os índios, que não foi aceita. Os caminhões foram entregues à Polícia Federal e ao IBAMA, mas até agora ninguém foi preso. Várias lideranças indígenas estão ameaçadas de morte por conta disso. 

Também o povo Krenyê passa por uma situação alarmante. Atalmente vive na periferia de Bacabal e denuncia que o governo federal lhe nega o direito de ter um território. O processo desse povo está tramitando vagarosamente. Enquanto isso, muitos índios passam fome e toda sorte de necessidades. O Povo Kreniê foi retirado do seu território originário, na região de Bacabal, na década de 70, pelo antigo SPI, e espalhado por várias terras indígenas, em Santa Inês, Bom Jardim e Alto Turi. O problema comum a todos os territórios, no entanto, é intrusão para a extração ilegal de madeira nas florestas. 

O Maranhão, é o Estado que reune cinco das 20 terras mais invadidas do país, com os principais registros de conflitos. A estratégia de combate a esse tipo de intrusão não surtem o efeito desejado, uma vez que os madeireiros sempre retornam às áreas e raramente são punidos. A relações desses grupos sociais com índios, políticos e autoridades locais também dificulta as operações repressivas. De modo geral, o modelo de desenvolvimento adotado pelas cidades próximas dos territórios indígenas e unidades de conservação passa pela exploração ilegal de madeira. O fato é que essa exploração está causando o esgotamento das fontes de alimentos e dos recursos hídricos nas reservas, além do desequilíbrio do processo de organização interna das aldeias. (Fonte: Alice Pires Tenetehara)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A Gaia terra já passou do ponto, a catástrofe vem chegando. O crescimento idiota que mata!

A febre consumista parece não dar sinais de baixar e esfriar. Poucos se perguntam o que isso irá significar em termos de esgotamento dos bens não renováveis e dos efeitos no ambiente em curto prazo. O fato é que com 294 mil unidades vendidas até quarta-feira, o mercado de veículos novos no Brasil já registrou o ‘melhor janeiro’ da história, embora ainda faltem contabilizar os licenciamentos de ontem. Do total registrado até o dia 30, 280,5 mil são automóveis e comerciais leves e o restante são caminhões e ônibus. O mês completo deve fechar com mais de 310 mil veículos vendidos, superando o melhor resultado até então para o período, de 268,2 mil unidades registradas em janeiro do ano passado. Os números preliminares até quarta-feira indicavam crescimento de 18,6% nas vendas em relação ao mesmo período de janeiro de 2012. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta para o ano todo crescimento de 3,5% a 4,5% nas vendas, para números próximos a 3,9 milhões de veículos, o que seria um novo recorde para o setor, que cresce há nove anos consecutivos. As previsões menos sombrias sobre a catástrofe ambiental vista como inevitável com consequências previsíveis sobre a espécie ‘homo sapiens’ é que ela possa ocorrer entre 2050 e 2060. Para a maioria dos cientistas o planeta Gaia já passou do ponto. Mesmo que começasse hoje mesmo a não crescer mais, e a adotar em todo o planeta as medidas já conhecidas para evitar piorar os níveis de poluição e degradação ambiental seria TARDE DEMAIS! E ainda tem gente brindando ao crescimento....que mata!