quarta-feira, 5 de abril de 2023

Quinta-feira santa - a 'estranha' missa de Jesus!

A celebração da Ceia se dá numa casa particular, comum, e não num templo consagrado....Não acontece sob a presidência de um sacerdote profissional, mas aí todos são celebrantes...Não havia um altar apropriado, mas uma mesa comum....os objetos litúrgicos (cálices, pratos...)não eram dourados e nem consagrados....Todos comem, bebem, e consomem, ninguém oferece em sacrifício ou em expiação.....

Não há por parte de Jesus qualquer ordem específica para que somente algumas pessoas possam reproduzir aquele seu gesto. A todos é dado o poder-dever moral de 'repetir aquele gesto', salvaguardando, contudo, a memória do Mestre. Naquela missa se respira um ar de tensão e de apreensão, deixando a entender que os acontecimentos do cotidiano interferiam no clima daquela celebração....da vida.

Será que os canonistas de hoje iriam validar aquela missa sacrílega preocupados como estão nas exterioridades? Não esqueçamos que cada batizado deve exercer a sua missão de Administrador, Anunciador e Sacerdote fazendo a 'eucaristia/comunhão acontecer', não importa o lugar, a circunstância e os meios litúrgicos disponíveis.... 

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Ainda sobre a cruz......

 Muitos se sentem desrespeitados em ver uma cruz pendurada numa parede, mas não sentem escrúpulo algum em pendurar pessoas nos patíbulos da ofensa e da execração pública...

A cruz ladeou por séculos a fio a espada de imperadores e reizinhos, e seus exércitos; muitos se esquecem que quem erguia a cruz e brandia a espada só pensava em crucificar corpos e almas, e se apossar de suas terras onde os enterraria fincando em suas covas coletivas uma cruz bem visível.....

‘Cada um tem que carregar sua própria cruz’! Será? Não seria mais lógico tentar neutralizar quem as fabrica e as coloca, descaradamente, nos ombros de tantos inocentes? E lá onde é impossível se livrar da ‘própria cruz’ porque deveríamos carregá-la sozinhos? Onde estão os ‘Cireneus humanos’ de hoje que nos ajudam a carregar a 'nossa cruz'? 

Não esqueçamos que tirar totalmente a cruz dos ombros de alguém nem sempre é historicamente possível, mas aliviar o seu peso carregando-a com o outro crucificado que caminha ao nosso lado, ainda está ao nosso alcance! Sejamos humildes 'Cireneus' voluntários....  


sábado, 1 de abril de 2023

Domingo de Ramos - Bendito aquele que vem entre nós em mansidão e serviço humilde!

Jesus, ao longo da sua vida, nunca buscou palanque. Manteve-se sempre discreto e esquivava-se de qualquer tentativa de torná-Lo protagonista. Obviamente, havia entre os fãs do Mestre quem quisesse que Ele assumisse, ostensivamente, em Jerusalém, a Sua ‘opção messiânica’. Que sinalizasse de maneira inequívoca o seu prestígio moral e a sua liderança política. Contudo, Jesus o Galileu, no auge da sua caminhada, avança pelas ruelas da antiga cidade montando um potro de jumenta. Para muitos, uma cena patética. Destoava demais com os sonhos de poder e glória acalentados por séculos, por uma nação inteira! A suposta ‘entrada triunfal’ do ‘Messias Galileu’ montando não um imponente cavalo branco, mas um vulgar potro de jumenta, cercado por seguidores que brandiam não espadas, mas palmas, era premonição de derrota. Ocorre que Jesus nunca havia iludido seus seguidores, e jamais lançou mão de sinais equivocados. O novo rei-messias deixa claro que o ‘ungido do Reino’ condenava as falsas expectativas de quem continua a acreditar, ainda hoje, que é ‘batendo, arrebentando e prendendo’ que se constrói ‘o Reino para os pobres’, a ‘nova sociedade’, o ‘bem-viver’, a ‘terra sem males’. 


quinta-feira, 30 de março de 2023

Funcionários de fazenda destroem barracos e casa de reza de comunidade Guarani Kaiowá no MS, com a cumplicidade da PM

Em menos de duas semanas, a comunidade Guarani Kaiowá do tekoha Kurupi, próximo à cidade de Naviraí (MS), sofreu dois ataques por parte de funcionários da Fazenda Balneário Tejuí, sobreposta ao território ancestral. De acordo com lideranças da comunidade ouvidas pelo Brasil de Fato, na madrugada da última segunda-feira (27 de março), tratores operados por empregados da fazenda destruíram barracos e a casa de reza, que além de seu valor espiritual, abrigava as reuniões dos indígenas. Segundo as lideranças, que por segurança falaram em anonimato, o objetivo dos ataques é retirá-los do local e preparar a terra para plantio de commodities por parte do arrendatário do fazendeiro Miguel Alexandre.

Comunidade aguarda demarcação acampada há 20 anos

A retomada do tekoha ("lugar onde se é", em guarani) Kurupi aconteceu no início dos anos 2000 quando, cansados de viver confinados na reserva de Caarapó, um grupo de Guarani e Kaiowá retornou para parte do território de onde seus antepassados foram expulsos na década de 1940. Ali a comunidade vive em condições precárias em um acampamento nas margens da BR-163. Enquanto espera a demarcação do território, dentro do qual está a fazenda que carrega vestígio de estar em área indígena até no nome, os Guarani Kaiowá vivem sistemática violência. "Desde que passaram a acampar ali, eles vêm sofrendo agressões pesadas da Fazenda Tejuí. Tiveram o acampamento três vezes queimado, inclusive com crianças no meio, foi bem difícil", ilustra Hampel.

Tiros e helicóptero da PM

Na tarde da última quinta-feira (16), houve outra investida de funcionários da fazenda com tratores - dessa vez com escolta da Polícia Militar (PM) do Mato Grosso do Sul. Os veículos foram até os limites do acampamento Kurupi e, quando a comunidade Kaiowá se juntou, recuaram de volta para a sede da Fazenda Balneário Tujuí. A liderança indígena ouvida pela reportagem conta que, em seguida, os indígenas foram atrás, no intuito de "conversar para impedir que machucassem a mata da comunidade". E que foram recebidos com disparos de armas de fogo. "Fomos atacados pela PM, que estava com duas viaturas. Eles inclusive ameaçaram a minha pessoa", relata. Um helicóptero da PM sobrevoou a área. Os indígenas, então, voltaram ao acampamento.

Procurada, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Mato Grosso do Sul (Sejusp) informa que a PM foi "acionada para averiguar uma denúncia de que indígenas estariam impedindo o trabalho em uma área de plantio na Fazenda Balneário Tejuí". Que os policiais foram para "evitar possíveis conflitos" e que "não houve nenhum tipo de confronto". (IHU)


sábado, 25 de março de 2023

V de Quaresma - Abrir sepulturas e fazer sair da morte os Lázaros sem vida! (Jo. 11,1-45)

Às vezes temos a impressão que a nossa vida e a de boa parte de humanidade esteja reclusa numa sepultura sem luz e sem esperança. Fazemos a experiência da morte interior, do desânimo e da falta de motivação para permanecermos vivos e ativos diante dos dramas pessoais e familiares que ameaçam a nossa serenidade e a vontade de ‘sobreviver’. Muitas vezes, afetados por enormes provações, dominados por sentimentos de abandono e de impotência, acabamos nos entregando. As pessoas que nos cercam se tornam invisíveis aos nossos olhos, não achamos sentido no que fazemos, e desistimos de resistir e lutar. A nossa existência fede a desespero. Sem ter plena consciência de tudo isso nos refugiamos numa triste solidão que, contudo, parece nos oferecer segurança e sossego. Na realidade, viramos ‘sepulturas vivas’, ou ‘Lázaros ambulantes’; vivos por fora, mas mortos por dentro! Precisamos encontrar pessoas que ‘visitem’ o nosso túmulo interior e se compadeçam de nós. Pessoas amorosas que tenham a ousadia necessária de abrir a nossa sepultura, nos façam sair, e nos ‘deixem ir’. E, finalmente vivos e livres, carregados de esperança e de motivação, nós mesmos nos tornemos ‘ressuscitadores incansáveis’ de milhares de ‘Lázaros’ presos ainda em sepulcros sem vida!


sábado, 18 de março de 2023

IV domingo de Quaresma- Um novo ser para enxergar o mundo com outros olhos! (Jo.9,1-41)

 Não há pior cego do que aquele que acha que enxerga! Assim agimos na vida, de forma paradoxal, fruto irracional da nossa pretensa autossuficiência. Queremos ser o metro-medida de nós mesmos e do mundo que nos rodeia. Só escancaramos o nosso infame egocentrismo que nos impede de ‘enxergar’ nós mesmos e as pessoas com os olhos da compaixão e da solidariedade. Às vezes, quando começamos a sentir internamente as consequências desse descompasso existencial tentamos nos justificar buscando nos outros, ou num ‘deus’ punitivo, ou num desconhecido destino, os responsáveis da nossa cegueira, e das escuras noites da nossa insossa vida. É preciso ‘renascer’! É preciso que alguém externo a nós, nos coloque no nosso coração tapado o ‘barro vital’, e recrie em nós o novo Adão. Quando essa transformação ocorre nos tornamos para o mundo 'invisíveis desconhecidos'. O mundo parece não nos reconhecer mais. Parece que nos aceitava somente enquanto éramos cegos e dependentes dele, de suas crenças e leis. Quando nos transformamos em pessoas livres e em humildes videntes das nossas e alheias cegueiras, começa a perseguição e a exclusão. Precisamos romper a espiral das múltiplas dependências que nos escravizam para denunciar as trevas interiores de todos os que acham que enxergam e que atribuem a si o poder de declarar quem é cego e quem enxerga. Quem pode ser visto e quem deve ser 'invisibilizado'!


quinta-feira, 16 de março de 2023

PF realiza operação contra comércio ilegal de madeira extraída de Terras Indígenas no Maranhão

 


Na manhã de quarta-feira (15 de março), a Polícia Federal (PF) realizou uma operação de combate ao comércio ilegal de madeira extraída de Terras Indígenas no Maranhão, principalmente a TI Araribóia, localizada no município de Grajaú, a cerca de 570 km de São Luís. Durante a “Operação Aegis”, a PF cumpriu 16 mandados de busca e apreensão nas residências dos investigados, em Grajaú e Teresina (PI), e quatro ordens de suspensão de atividades em serrarias localizadas na cidade maranhense. De acordo com a PF, a madeira extraída ilegalmente das Terras Indígenas abastecia serrarias na cidade de Grajaú, que revendiam o material irregular. Os investigados responderão por crime ambiental e receptação qualificada. A operação, que teve o apoio do Instituto Nacional do Meio Ambiente (IBAMA) e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Maranhão (CBMMA), foi batizada de "Aegis" em alusão ao escudo utilizado pela deusa Atenas para a proteção contra seus inimigos.