Quem de nós nunca prometeu que iria mudar na vida? Que faria tudo para superar aquelas dependências e vícios que o mantinham escravo? Que iria ser mais atencioso e mais amoroso para com as pessoas que vivem ao nosso lado? Quem de nós nunca prometeu que a ‘partir de hoje’ seria outra pessoa e que ‘nunca mais faria o que vinha fazendo’? E que escreveria uma página nova e inédita da sua história? Quantas vezes não se sentiu culpado por ter que admitir que, afinal, foi fraco porque não conseguiu cumprir com algo que havia prometido a si mesmo e aos outros? Quantas vezes diante das nossas fragilidades e impotências invocamos o poder de intervenção onipotente de quem poderia operar aquelas transformações de que nós nos sentíamos incapazes de realizar? Hoje, ao apagar das luzes do ano 2012 podemos correr o perigo de entrar numa lógica um tanto perversa. A lógica do voluntarismo exacerbado e do enfrentamento pessoal e solitário, contra uma parte de nós mesmos que não aceitamos. Ou que não queremos reconhecê-la como algo próprio e específico do ser humano. Mas também podemos entrar na lógica de quem delega a outros a missão e a responsabilidade exclusiva de fazer as coisas acontecerem. Para si e para o mundo. Por acharmos que na nossa insignificância seríamos incapazes de realizar o que desejamos intimamente. Ao nascer do novo sol do ano de 2013 é preciso sermos ousados conosco e com a história. Uma história que é feita unicamente por nós humanos. Que terá o rosto e os rumos daqueles homens e mulheres que não esperam que um enigmático destino os conduza por caminhos e direções não desejadas. Que compreende que podemos ser autores ousados de projetos afirmativos e esperançosos em favor de valores universais, ou vítimas pusilânimes de interesses e ambições pessoais ou de grupo que nos autodestroem. O Deus de Jesus de Nazaré representa hoje, simbolicamente, a ‘Fonte Inspiradora e Iluminadora’ de quantos acreditam que juntos podemos transformar e defender a vida na sua multiplicidade e plenitude. Não mediante um esforço pessoal e titânico, mas como um caminhar permanente e paciente de construção, organização, re-motivação, apoio recíproco....E da contemplação antecipada de que, afinal, os novos céus e as novas terras já são ‘visíveis’ no novo horizonte. Feliz 2013!
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Terra indígena Krikati, no Maranhão, é a mais desmatada do Brasil!
A Terra Indígena que acumula o maior percentual de degradação de
floresta no Brasil é a Krikati, no Maranhão. Nada menos do que 77,6% da
área, de 1.442 km², já foram desmatados ao longo dos anos. É no Maranhão
onde a Funai encontra os maiores problemas para proteger as terras
indígenas:das 20 áreas mais desmatadas em 2011, cinco eram no Maranhão.De acordo com dados da Funai, das 689 terras indígenas cadastradas, apenas 61% estão com o procedimento administrativo de regularização fundiária concluído, com registro na Secretaria do Patrimônio da União — ou seja, 422 delas. Mesmos nas terras já regularizadas, há problemas, com 20% ocupados por não índios. Ações judiciais postergam a saída de posseiros, e são constantes as invasões das TI por madeireiros e garimpeiros, deixando os índios à mercê de conflitos fundiários. Não basta só reprimir, pois as invasões são constantes. É preciso levar alternativas para os municípios sobreviverem com atividades lícitas.Mesmo com as dificuldades, as terras indígenas contribuem para a preservação da floresta Amazônica, já que representam 21,5% da Amazônia Legal.
(Fonte: O Globo)
Jagunço recebe arma, celular e R$ 600 para matar líderes Kaiowá
Na manhã desta quarta-feira, 27, lideranças indígenas da Aldeia Takuara, município de Juti, fizeram um Boletim de Ocorrência na cidade de Caarapó denunciando a contratação de um jagunço a mando do fazendeiro Jacinto Honório da Silva Filho. Segundo informações, o jagunço com nome de Moacir recebeu uma arma de fogo, um celular e a quantia de R$ 600 reais dado por Jacintinho, filho do fazendeiro Jacinto. O objetivo da contratação é assassinar as lideranças Ládio Véron, Valdelice Véron e Arlindo Véron, líderes indígenas da Aldeia Takuara. Segundo os indígenas, a FUNAI foi notificada, porém nada foi feito até o exato momento. O clima é de tensão na terra indígena. Em 13 de janeiro de 2003, o Cacique Marco Véron foi brutalmente assassinado na terra indígena Takuara a mando do fazendeiro Jacinto Honório da Silva Filho. Na ocasião, os jagunços tentaram atear fogo no Cacique Ládio Véron, filho de Marco, porém o líder indígena conseguiu fugir. Marco Véron morreu por traumatismo craniano.O Cacique Ládio Véron é uma das lideranças Guarani-Kaiowá que está no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos Ameaçados de Morte, porém as ameaças, emboscadas e contratações de jagunços continuam gradativamente. (Compartilhado por Teceres Teares Guarani Kaiowá).
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Indígenas do México: fortes, pacíficos e numerosos!
Chiapas, México. “A quem possa interessar. Escutaram? É o som do seu mundo caindo. É o do nosso mundo ressurgindo. O dia que foi o dia era noite. E noite será o dia que será o dia”. Foi a mensagem assinada pelo subcomandante Marcos e difundido horas depois, através da página Enlace Zapatista. Em cada uma das cidades ocupadas (Ocosingo, Las Margaritas, Palenque, Altamirano e San Cristóbal), os povos indígenas Tzeltales, Tzotziles, Ch’oles, Tojolabales, Zoques, mames e mestiços marcharam com seus tradicionais lenços e passa-montanhas, em fila e silêncio rigoroso. Milhares de bases de apoio do Exército Zapatista de Liberação Nacional (EZLN) ocuparam num silêncio emblemático as ruas de cinco municípios do estado de Chiapas, na primeira manifestação pública que os zapatistas fazem desde o dia 7 de maio de 2011, quando se juntaram à convocatória do Movimento pela Paz com Justiça e Dignidade. Essa ação simultânea e massiva, a maior de toda a história, foi antecedida pelo anúncio de que a organização indígena daria sua palavra, a qual se conheceu algumas horas depois da mobilização. Essa foi a expressão mais simbólica de toda a mobilização. Força, disciplina, uma ordem extraordinária, dignidade, integridade e coesão. Não é pouco. São 19 anos nos quais uma infinidade de vezes foram considerados mortos, divididos e isolados. Uma e outra vez saíram para dizer “aqui estamos”. Hoje, com 40 mil zapatistas nas ruas, novamente silenciaram, de uma só vez, os boatos infundados.(Fonte: Blog do Luis Nassif)
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Natal em Piquiá de Baixo:morre criança de 9 anos 'envolvida' pelos gases das siderúrgicas!
Ainda não sei o nome dela. A notícia chegou até nós faz pouco, quase por acaso: a morte parece uma normalidade, mesmo se agarra uma criança de nove anos. Mesmo se aconteceu numa lenta agonia. Mesmo se a família não tinha culpa. Mesmo se, de novo, são os gases e a fumaça das siderúrgicas a rasgar pedacinhos de vida do povo de Piquiá de Baixo.
Fiz questão de escrever poucas linhas, como uma oração, nessa noite de Natal. Antes de celebrar a vida, precisamos manter os pés bem no chão do sofrimento de nosso povo.O evangelho insiste que Jesus foi envolvido em faixas, logo ao nascer, para indicar a morte de que devia morrer: entregue ao colo da mãe pelos soldados que o mataram, envolvido em faixas no sepulcro que poderá prendê-lo só por três dias. A morte e a vida estão tão próximas, na existência de nosso povo...
No silêncio da noite de Natal contemplaremos uma Vida que nasce e mais uma que morreu vítima da condenação moderna do ‘progresso’: a poluição, a exclusão, o sacrifício de alguns para que –dizem- outros possam se desenvolver.A Paz que nos desejamos tanto nesses dias nos deixe inquietos e apaixonados, até quando se tornar, de verdade, Paz para todos e todas. (Fonte Dario Bossi)
domingo, 23 de dezembro de 2012
Maria e Isabel: as profecias de João Batista e de Jesus de Nazaré a confronto! (Lc.1,39-45)
Duas figuras de grande densidade moral, Jesus e João Batista, são colocadas a confronto mediante suas respectivas mães: Maria de Nazaré e Isabel. Temos, de fato, no trecho evangélico hodierno, uma antecipação daquilo que serão duas formas distintas de fazer profecia. A mensagem catequética de que Lucas se torna o veículo funciona como uma espécie de ‘prelúdio’. Nele, o evangelista concentra o que acontecerá de forma mais clara e mais trabalhada mais adiante, ao longo do seu evangelho. Longe de produzir uma crônica histórica, Lucas nos faz imergir de imediato em duas determinadas concepções de Deus, e em duas formas específicas de se relacionar com Ele. A isso faz corresponder duas determinadas respostas e posturas proféticas em que aparece e prevalece, definitivamente, o jeito próprio, único, de Jesus de Nazaré, aqui, representado e ‘mediado’ por Maria. De um lado Maria que deixa a segurança e a tranqüilidade da sua casa e avança pelas montanhas da Judeia, atravessando aldeias e povoados, para visitar, servir, anunciar. Uma postura ativa, dinâmica, voltada para fora de si. Olhando e acolhendo o outro que está longe, para que se sinta próximo, amado e protegido. Do mesmo modo que fará o seu filho Jesus. E, do outro, Isabel, na sua casa, no seu espaço familiar, amparada e segura, que acolhe com surpresa e maravilha aquele gesto e anúncio que vem de fora, de longe. Que sabe reconhecer, todavia, em Maria, ‘aquele que ainda antes de nascer’ já é fonte de alegria e esperança. Uma profecia mais contemplativa, de louvor e de reconhecimento da grandeza da pessoa e da mensagem de que Maria se torna o instrumento. Contudo, parece ainda uma profecia voltada sobre si e sobre o passado, e que não incita a reproduzir e multiplicar a esperança de que Maria e Jesus são portadores. De alguma forma, João reproduzirá o jeito profético, estático, de Isabel. No seu deserto ele contempla e invoca um ‘deus purificador’, justo, exigente e justiceiro. Quem quer ouvi-lo que vá até ele! Jesus não se incomoda de ir a visitá-lo no seu deserto, avançando pelas montanhas da Judeia, passando por aldeias e povoados como Maria havia feito. E tenta lhe mostrar que existe um Deus que se compadece e que oferece, continuamente, novas chances às pessoas. Sem precisar intimidar as pessoas, invocando vinganças e castigos! Mesmo reconhecendo a importância da mensagem de João Batista, Jesus acolhe e incorpora os processos educativos nos quais ele havia crescido. Pela sua formação humana e religiosa Jesus não podia reproduzir o Deus de João Batista. No coração de Jesus só cabia um Deus que ‘sai de si, que visita e caminha com os que ‘moram longe’, para que se sintam, definitivamente, sempre mais próximos uns dos outros’!
sábado, 22 de dezembro de 2012
Polícia militar, políticos e prefeituras alimentam esquema de venda de madeira na terra indígena Alto Turiaçu
A PF (Polícia Federal) deflagrou, nesta quinta-feira (20), operação para coibir a extração ilegal de madeira em terras indígenas nos municípios de Maranhãozinho (800 km de São Luís) e Centro do Guilherme (450 km de São Luís), no noroeste do Maranhão. Trinta e quatro policiais cumpriram os sete mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. A operação Copi'i (que em tupi-guarani quer dizer cupim) desbaratou uma suposta quadrilha que, segundo as investigações, é formada madeireiros, índios, policiais militares e políticos da região. A PF não divulgou os nomes dos envolvidos. Todos vão responder processo em liberdade. Os acusados responderão por corrupção passiva, concussão (exigir para si ou para outro dinheiro ou vantagem em razão da função), prevaricação (retardar ou deixar de praticar ato de ofício), formação de quadrilha ou bando e peculato (funcionário público que toma posse de algo pertencente à administração pública). A PF informou que o esquema de retirada ilegal da madeira contava com a participação da Prefeitura de Centro do Guilherme, que cobraria uma taxa para que os caminhões de madeireiros entrassem na reserva e retirassem toras. A madeira seria vendida a serrarias. A investigação apontou que o dinheiro arrecadado com a entrada dos caminhoneiros não ia para os cofres públicos, mas sim, era desviado para os integrantes da quadrilha. "Ao pagar a taxa o caminhoneiro recebia um ticket, que comprovava o pagamento e dava direito de ingressar na reserva. Esse controle de entrada dos caminhões era feito por guardas municipais armados ilegalmente instalados em 'barreiras/cancelas' no povoado Centro do Elias e na zona rural de Maranhãozinho, sob supervisão de um subtenente da Polícia Militar da região", informou a PF, por meio de nota. Segundo a PF, além da acusação de corrupção, a atividade era ilegal, pois não tinha autorização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Meio Ambiente) ou da Funai (Fundação Nacional Índio). As investigações tiveram início com a Operação Arco de Fogo, em 2011, com o levantamento de informações sobre desmatamento na reserva indígena Alto Turiaçu, do Maranhão, que gerou um inquérito da PF. (Fonte Uol)
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