sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Voltar a uma 'igreja' sem papas, nem consistórios, e nem cúrias. Voltar às 'células iniciais' inspiradas a Jesus de Nazaré.

A mídia continua ainda tendo seus olhos voltados aos últimos acontecimentos vaticanos: a renúncia a papa de Josef Ratzinger e às sempre mais obscuras causas do seu gesto. Haverá ainda ‘muito pano’ para ‘pouca manga’, mas inutilmente! De fato, venham de onde vierem os comentários e análises até aqui divulgadas dão conta ainda de uma ‘igreja institucional’, aquela ligada somente ao exercício do governo, a um ‘estado’, a uma ‘entidade política’. Não foi essa a ‘configuração institucional’ que Jesus e as primeiras comunidades queriam. Aliás, eles nem queriam ‘a igreja’ como instituição e como entidade política! Sabedores que eram de que toda instituição, afinal, mata o carisma e a inspiração inicial. Algo constatável na história de ontem e de hoje. Cabe, portanto, agora, dirigir o nosso olhar para ‘aquela igreja’ que sempre viveu à margem dessa ‘outra’, a institucional e que é a única capaz de se insinuar paulatinamente na história e produzir mudanças inéditas. Mesmo sem desconhecer que um mínimo de ‘institucionalização’ é imprescindível, principalmente nas complexidades hodiernas, faz-se urgente, nesse momento, apostar naqueles movimentos e conjunto de aspirações que priorizam o carisma e a ‘inspiração original’ de Jesus de Nazaré e do seu grupo. 
As necessárias e sempre mais urgentes mudanças que se afirma de diferentes partes que devem acontecer na ‘igreja’ não serão produzidas por um papa ou pela instituição que ele representa. Mesmo que ousadas e proféticas (segundo quem, para quem e aonde?) não surtiriam efeito se não apontassem para mais participação, mais respeito, mais sobriedade. E se não forem acolhidas por pessoas sempre mais identificadas com determinados valores e opções éticas, algo desafiador no mundo de hoje tão deseducado para isso. A falta de sensibilidade e de atenção aos verdadeiros valores que dão sentido à existência humana por parte da instituição igreja’ é que vem produzindo não somente uma crise sistêmica no seu seio, mas também na própria concepção do cristianismo vivenciado e veiculado por pessoas não necessariamente praticantes. Sem idealizações e sem ignorar as contradições pessoais e coletivas que nos acompanham sistematicamente no nosso dia a dia é imprescindível ‘voltar’, - sem regredir ao passado cronológico, - às ‘células familiares’ ou às pequenas comunidades geradoras de uma sempre mais vivaz pluralidade ministerial, sem ‘chefes de estado’, nem ‘consistórios’, nem ‘cúrias’, mas com tantos Josés, Antônios, Franciscos, e tantas Marias, Anas, Lurdes que a partir da inspiração do ‘mesmo e diferente’ Jesus de Nazaré procuram viver com intensidade e criatividade a sua fé. Uma fé pessoal, comunitária, histórica, comprometida, que as instituições sempre tenderão a controlar e a matar!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Com a renúnica de Bento XVI se inicia um novo sistema de governo para a igreja católica?

A inédita situação determinada pela renúncia de Bento XVI é de grande ajuda para compreender o que significa realmente ser papa. Até ontem, "ser papa" e "fazer o papel de papa" era a mesma coisa. Até ontem, a pessoa e o papel se identificavam, não havia solução de continuidade, e, ao contrário, se entre as duas dimensões uma devia prevalecer, certamente era a de "ser papa" que prevalecia, fazendo passar para o segundo plano o fato de ter ou não as plenas possibilidades de poder fazê-lo. A laicidade levou a melhor sobre a sacralidade.De fato, tratou-se de uma decisão laica, porque realiza uma distinção, e onde há distinção há laicidade. A distinção entre a pessoa e o papel introduzida nessa segunda-feira por Bento XVI, com a sua renúncia, se concretiza nestas palavras ditas em latim aos cardeais: "As minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino". Há um ministério, uma função, um papel, um serviço, que tem prioridade sobre a identidade da pessoa.

A palavra decisiva no anúncio papal dessa segunda-feira, no entanto, é outra, a seguinte: "No mundo de hoje". Eis as suas palavras: "No mundo de hoje, para governar a barca de São Pedro, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo". No mundo de ontem, sugere Bento XVI, a distinção entre pessoa e papel ainda podia não emergir, e um Joseph Ratzinger enfraquecido ainda poderia continuar desempenhando o papel de Bento XVI. No mundo de hoje, ao invés, não é mais assim. Eu considero essas palavras não somente uma grande lição de autoconsciência e de laicidade, mas também uma grande oportunidade de repensamento para o governo da Igreja. A renúncia de Bento XVI pode conduzir a uma reforma da concepção monárquica e sacral do papado nascida na Idade Média e retomar a concepção mais aberta e funcional que o papel do papa tinha nos primeiros séculos cristãos?É difícil que isso aconteça, mas permanece a urgência de colocar novamente no centro do governo da Igreja a espiritualidade do Novo Testamento, passando de uma concepção que confere ao papado um poder absoluto e solitário, a uma concepção mais aberta e capaz de fazer viver na cotidianidade o método conciliar. (Fonte: IHU - artigo de Vito Mancuso, re-elaborado pelo blogueiro)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O papa Bento VI já havia admitido a hipótese de renunciar

A renúncia do papa Bento Pontífice  é coerente com aquilo que o Papa declarou no livro-entrevista "Luz do mundo" de Peter Seewald, em que há duas perguntas precisas que se referem à hipótese de renúncia. Seewal perguntara, inicialmente, a propósito de situações difíceis se estas pesavam sobre o Pontificado em andamento e se o Papa havia pensado renunciar. A resposta tinha sido:"Quando o perigo é grande não se pode fugir, eis o motivo pelo qual este, seguramente, não é o momento de renunciar (referia-se à questão dos abusos e assim por diante), "é justamente em momentos como este que é preciso resistir e superar a situação difícil. Este é o meu pensamento. Pode-se renunciar num momento de serenidade, ou quando simplesmente não se consegue mais, mas não se pode fugir no momento do perigo e dizer 'que outra pessoa cuide disso'. A segunda pergunta de Seewal:"Portanto, é imaginável uma situação na qual o senhor considere que o Papa renuncie?" A resposta do Papa foi:"Sim, quando um Papa alcança a clara consciência de não mais ser capaz fisicamente, mentalmente e espiritualmente de desempenhar o encargo a ele confiado, então tem o direito e, em algumas circunstâncias, também o dever de renunciar.
Bento XVI deverá transferir-se primeiro para Castel Gandolfo e, sucessivamente, quando terminarem os trabalhos de restauração, para onde se encontrava a sede do mosteiro das irmãs de clausura, no Vaticano.

Comentário do blogueiro - Acostumados como fomos a ver um papa permanencendo tal até à morte, surpreende-nos a decisão do atual. A exibição da progressiva piora do estado de saúde do papa não é nada caridosa e nem conveniente. Além disso, a situação admistrativa e política no Vaticano que é extremamente grave exige uma rápida intervenção e uma decidida tomada de posição, algo que o atual papa não podia e nem queria por prever que havia chegado ao fim da sua caminhada.Rezemos e torcemos para que o diálogo, o entendimento, a confrontação sincera entre os senhores cardeias não deixe lugar a disputas pela sucessão petrina......

BENTO XVI RENUNCIA. EM MARÇO SAI O NOVO PAPA!

Cidade do Vaticano - Bento XVI anunciou esta segunda-feira que renunciará no dia 28 de fevereiro. Eis o texto integral do anúncio:

Caríssimos Irmãos,
convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado.
Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sé de Roma, a sé de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.
Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.
BENEDICTUS PP XVI

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O fascínio da 'palavra' que encanta, motiva e multiplica vidas e esperanças (Lc. 5, 1-11)

Aparentemente vivemos em uma cultura onde o que vale e o que influencia o ser humano em seus comportamentos parecem ser os gestos concretos e coerentes, e os atos formais e legalmente registrados. Muitas vezes afirmamos com solenidade que o que vale é o nosso fazer, e não o nosso falar. Ninguém, por exemplo, fecha um negócio ou faz um acordo tendo como base somente a palavra reciprocamente dada. Onde a confiança é determinante, e é a única garantia oferecida para o cumprimento do que foi combinado. Entretanto, queiramos ou não, vivemos ainda sob o domínio e o fascínio da palavra. A palavra não é somente um canal de comunicação. Ela exerce uma sedução única, encantadora, mágica. Mediante a palavra o seu veiculador, o ser humano, manifesta habilidades para anestesiar ou mobilizar massas. Conduzi-las para o paraíso da beleza da vida, ou relegá-las ao medo e aos mais angustiantes sentimentos de culpa. Ao não sentido da vida.

O evangelho de hoje relata a experiência exaltante de alguns poucos pescadores de Cafarnaum ao contato com a palavra do mestre de Nazaré. O encantamento com ‘a palavra’ daquele mestre deu origem a algo impensável que revolucionou irremediavelmente a sua existência. A narração parece ter no fascínio da ‘palavra’ o seu eixo. De fato, Jesus prega a ‘palavra’, a multidão escuta a ‘palavra de Deus’ (v.1), Pedro lança as redes ‘sobre a palavra’ de Jesus. É graças à obediência á ‘palavra’ e à relação de confiança no mestre que os pescadores enfrentam o ‘alto mar’ (literalmente, v.4). É no ‘alto mar’ que eles apanham ‘uma grande quantidade de peixe’ (v.6) deixando-os atordoados, mas integralmente recriados em relação à vida e à sua própria identidade. Eles se tornam ‘pescadores de homens’(v.10) após o encontro com a ‘palavra produtiva e multiplicadora’ do Mestre. Acredito que aqui surgem alguns elementos profundamente reveladores para a nossa vida, hoje.
O primeiro. A palavra por si só não cria e não destrói. Ela tem que encontrar não somente alguém que a saiba veicular com encantamento e habilidade, mas ela tem que apostar e achar no ouvinte (que nunca é só ouvinte passivo!) uma predisposição própria, uma identificação com a palavra proclamada e, principalmente, com o seu veiculador. A palavra deve mexer com os sentimentos, os sonhos, as expectativas, os projetos de vida das pessoas, mas caberá a elas dar-lhe seqüência. Aqueles pregadores de sucesso definidos por nós como ‘charlatões’ o são de verdade, ou eles possuem um atrativo fatal que vai além da habilidade exterior?
O segundo. A palavra por si só não transforma e não preserva. Não mobiliza e não paralisa. Ela motiva. Ela desencadeia no ouvinte atento e aberto um movimento novo para si e para os outros. A relação de confiança recíproca entre o proclamador e o interlocutor faz com que os dois mudem. Se Pedro e seus companheiros de um lado enfrentaram os perigos e os conflitos da vida (o alto mar) graças à sua confiança na palavra proclamada pelo Mestre, é também verdade, do outro lado, que Jesus não pediu isso a alguém de forma aleatória, mas a alguém que ele percebeu que poderia acatar o seu convite. Pedro foi certamente ‘seduzido’ por Jesus, mas também o Mestre ‘se sentiu seduzido’ por aqueles pescadores. Intuiu a sua abertura e predisposição. Só assim que podemos afirmar, indiretamente, que a ‘palavra’ cria, muda, transforma ou, paradoxalmente, ‘cria’ conformação, escravidão, medo, alienação.
O terceiro.  A palavra se torna inquietante e assustadora quando ela nos direciona para rumos desconhecidos, imprevisíveis e ignorados. Quando nos joga nas profundezas do mar da vida. Quando ela é ‘mera palavra’, e não é ladeada nem por gestos concretos e nem por garantias de qualquer tipo. Quando ela exige somente ‘fé pura’ nela, e nada mais! Podemos ter a sensação de nos perder, de deixar de existir. Sentimo-nos impotentes e inseguros. Jesus, no evangelho de hoje, nos diz que é esta palavra que, paradoxalmente, tornar-se-á ‘produtiva, abundante, multiplicadora, frutífera’. Será esta a nos fazer perceber que podemos ser ‘outras pessoas’. Pescadores capazes de enfrentar ‘outros mares’ e outros desafios. Pescadores capazes de ‘seduzir’ mais ‘pregadores’ para multiplicar vidas e esperanças.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Bispos do Brasil preocupados com os impactos querem debater legislação relativa à mineração no País!

A Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz apresentou na manhã desta quarta-feira, 06 de fevereiro, a questão da elaboração do marco regulatório da mineração no Brasil. A CNBB já tentou participar deste debate junto ao governo federal, mas até agora não conseguiu resposta de participação. O presidente da Comissão, dom Guilherme Werlang, explicou que a questão envolve o tema das terras indígenas, quilombolas e também a preservação do meio ambiente. “A discussão, até agora, está apenas no nível dos grupos econômicos”, reforçou dom Leonardo Steiner, secretário geral da CNBB. Um dos convidados para apresentar o assunto aos bispos, o padre Dario Bossi, do movimento Justiça nos Trilhos, falou da relevância do assunto. “Não conseguimos entrar ainda nesta discussão, ou participar do diálogo para tornar transparente o debate deste novo marco regulatório”. O debate atual prevê uma legislação mais flexível em certas áreas de extração mineral, com o argumento do interesse nacional. Alessandra Cardoso, do Instituto de Estudos Socioeconômicos, entregou ao episcopado o resultado de um estudo com dados detalhados sobre o impacto do tema. Dom Guilherme apresentou, em nome da Comissão, a proposta de que a CNBB apresente uma manifestação pública sobre a questão, por meio de carta. Os bispos debateram a proposta e decidiram que será apresentada uma carta, com conteúdo didático, dirigida ao Congresso Nacional, à Presidência da República e ao Supremo Tribunal Federal. O texto, porém, será apreciado no encontro do Conselho Permanente da entidade, no início de março.(Fonte: CNBB)

Em São Luis a VALE tem que pagar 1,5 mil por mês a 70 pescadores prejudicados pela empresa.

Conforme decisão da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Maranhão, a Vale deve pagar mensalmente R$ 1,5 mil a um grupo de 70 pescadores, por terem sido prejudicados com a construção da obra do Pier IV, no Terminal Portuário de Ponta da Madeira, em São Luís. A determinação é para que a medida seja adotada até que o processo seja concluído. A ação de indenização foi ajuizada em 2009 pelos pescadores, por danos materiais e morais, pedindo ainda custeio mensal pela empresa, alegando que a construção do Pier IV estaria causando danos ambientais pela retirada da vegetação local e alterações permanentes do meio ambiente local. A desembargadora Nelma Sarney foi quem concedeu a reparação provisória mensal, que é relatora do recurso, por entender se tratar de verba alimentar, uma vez que os pescadores tiveram paralisada sua atividade profissional e não estariam aptos a serem imediatamente reintroduzidos no mercado de trabalho. “Não se mostra justo e nem razoável causar um grande dano ambiental na atividade empresarial com escopo primordial de lucro, sem oferecer a contrapartida às pessoas atingidas”, avaliou. A companhia falou sobre o caso em nota enviada ao G1. Confira o texto abaixo, na íntegra: A Vale informa não ter sido intimada da decisão sobre pagamento de pensão a pescadores da Praia do Boqueirão e esclarece que apresentará sua manifestação após comunicação oficial do Judiciário. Em todas as suas operações, a Vale procura atuar de forma responsável com todos os grupos e pessoas com as quais tem interface, com o devido respeito e atenção às questões socioambientais. (Fonte:G1)