terça-feira, 10 de julho de 2012

Murilo Ferreira, presidente da VALE: está tudo muito bem, obrigado!

Reproduzo alguns trechos de uma longa entrevista do presidente da VALE, Murilo Ferreira ao 'O Globo'.

O principal destino desta expansão em Carajás será o mercado asiático?
FERREIRA: Estava ocorrendo uma anomalia no mundo: os G-7 serem os principais consumidores de matéria-prima. Hoje, pelo menos dois terços da população mundial estão na Ásia. Estamos vendo um deslocamento (do consumo de minério) para países da Ásia.

Como a Vale trabalha com a hipótese de um freio na economia chinesa?
FERREIRA: Sempre vi previsões de catástrofes sobre a China. ...Tenho recebido (muitas pessoas dizendo): "Há uma bolha de imóveis na China". Essa "bolha" é uma oferta bem maior, em algumas cidades.... O sistema de logística da China, construído há tão pouco tempo, já está dando sinais de fadiga. ....Não devemos (a Vale) nos limitar à China.....

Qual o percentual desses outros países asiáticos nas receitas da companhia?
FERREIRA: Não é muito grande ainda. Taiwan, por exemplo, é um mercado importante e nós já temos uma planta de níquel lá. O Vietnã ainda está uns quinze anos atrasado em relação ao consumo, na comparação com a China.

A licença prévia de Carajás é importante, mas a questão ambiental ainda tem um impacto grande nos projeto de crescimento da companhia?
FERREIRA: Em janeiro deste ano tivemos a licença do N5-Sul (parte da mina N5, na Serra Norte de Carajás), a primeira licença lá nos últimos dez anos. A licença prévia da Serra Sul, S11D, é um fato histórico. Não gosto de ficar reclamando de governo, gosto de saber o que a gente pode fazer melhor.

A Vale tem hoje disputas judiciais em relação ao pagamento de impostos sobre lucros de subsidiárias no exterior e cobranças por exploração mineral. São cerca de R$ 30 bilhões, mas só uma pequena parte está provisionada. A Vale reclama que tem de pagar em dinheiro. A Vale está sendo discriminada?
FERREIRA: Nós queremos discutir o mérito desse assunto. Por enquanto nós discutimos de que forma somos dispensados de fazer o depósito, ou se vamos fazer o depósito em dinheiro para poder discutir o mérito da questão.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

PODE A ESPÉCIE HUMANA DESAPARECER?


Não são poucos os cientistas que afirmam que o desaparecimento da espécie humana não é uma perspectiva tão irreal como muitos pensam....... Damo-nos conta de que nos podemos autodestruir. Não por alguma meteoro rasante, nem por algum cataclismo natural de proporções fantásticas. Mas por causa da irresponsável atividade humana. Segundo Carl Sagan inventamos o princípio de autodestruição pelas armas de destruição em massa. Agora nos demos conta de que a guerra total conduzida contra Gaia, pode fazer com que ela não nos queira mais sobre a sua superfície. Seríamos expulsos como expulsamos uma célula cancerígena. Devido ao estresse de todos os serviços ecossistêmicos, a Terra vai irrefreavelmente subindo de temperatura que oscilará entre 1,8 e 5 graus Celsius. Com a entrada do metano na atmosfera que é 23 vezes mais agressivo que o dióxido de carbono, pode ocorrer nos próximos decênios, uma “mudança abrupta do clima”. Nomes notáveis das ciências não excluem esta eventualidade....

Stephen Hawking reconhece que num futuro ainda distante a população mundial ficará ombro a ombro e o consumo de eletricidade deixará a Terra incandescente. Ela poderá se destruir a si mesma enquanto portadora de vida
Christian de Duve, prêmio Nobel de Química afirma que “a evolução biológica marcha em ritmo acelerado para uma grande instabilidade; de certa forma nosso tempo lembra uma daquelas importantes rupturas na evolução, assinaladas por extinções em massa”. Antigamente eram os meteoros rasantes que ameaçavam a Terra; hoje o meteoro rasante se chama ser humano.
Théodore Monod, assevera: “somos capazes de uma conduta insensata e demente; pode-se a partir de agora temer tudo, tudo mesmo, inclusive a aniquilação da espécie humana. E acrescenta:”seria o justo preço de nossas loucuras e de nossas crueldades”
Edward Wilson atesta “O homem até hoje tem desempenhado o papel de assassino planetário…a ética da conservação, na forma de tabu, totemismo ou ciência, quase sempre chegou tarde demais; talvez ainda haja tempo para agir”.
Arnold Toynbe em sua auto-biografia:”vivi para ver o fim da história humana tornar-se uma possibilidade real que pode ser traduzida em fato não por um ato de Deus mas do homem
James Lovelock é contundente: ”até o fim do século 80% da população humana desaparecerá. Os 20% restantes vão viver no Ártico e em alguns poucos oásis em outros continentes, onde as temperaturas forem mais baixas e houver um pouco de chuva….Quase todo o território brasileiro será demasiadamente quente e seco para ser habitado”

Mas há também quem sustente que a situação atual representa antes um desafio que um desastre possível. Uma travessia para um patamar mais alto e não fatalmente um mergulho na autodestruição. Estaríamos, portanto, num cenário de crise e não de tragédia. Mas haverá tempo? Tudo parece indicar que o tempo do relógio corre contra nós. Não são poucos os que afirmam que estaríamos chegando tarde demais, pois teríamos passado já o ponto de não retorno. De todas as formas, urge escolher: ou o ser humano e seu futuro, ou a sua destruição. Somos otimistas: vamos criar juízo, aprender a ser sábios e escolher o ser humano com seus projetos. Importa já agora mostrar amor à vida em sua majestática diversidade, ter com-paixão com todos os que sofrem, realizar rapidamente a justiça social necessária e amar a Grande Mãe, a Terra.
(Re-elaboração livre do blogueiro de um artigo de Leonardo Boff publicado no Jornal do Brasil, ontem)

sábado, 7 de julho de 2012

Jesus na sua 'pátria': demais igual a nós para ter poder mais do que nós! (Mc.6,1-6)


No imenso e agudo anonimato em que vivemos parece existir uma forte necessidade de aparecer. De mostrar que existimos. Que temos força e capacidade de interferir. Não é importante se para o bem ou para o mal. Parece até que uma exposição ampla e prolongada de uma pessoa ou de uma instituição ajudaria a firmar a idéia de que seria também maior o seu poder de intervenção e de interferência. E, do outro lado, reforçar-se-ia a idéia de que quem não possui visibilidade tampouco teria força para modificar realidades e pessoas. E mais: para conseguir o poder de transformar teria que apelar necessariamente para alguém externo a ele, àquele que tem ‘visibilidade’ e que tem ‘prestígio e poder’! Se, além de tudo isso, o ‘visível e poderoso’ tem sua origem um tanto desconhecida, misteriosa, a expectativa com relação a ele aumenta consideravelmente. Ocorreu-me isso, como ponto de partida, ao refletir sobre o evangelho hodierno de Marcos e sobre a nossa realidade. Em Jesus se agrupam alguns desses elementos. Ele era razoavelmente conhecido e possuía, de fato, alguns poderes específicos. Reconhecidos inclusive por seus opositores.
Faltava, porém, a Jesus, um elemento que era essencial para ele captar as atenções, o consenso, e conseguir a aceitação do seu ‘poder’ e da sua força: a sua origem desconhecida e misteriosa. A origem de Jesus era conhecida demais em Nazaré! Nada de misterioso e de oculto havia nele. Ele era, afinal, um deles. Mesmo que tivesse mais fama e exposição que os habitantes daquela aldeia, Jesus não seria maior e mais poderoso do que eles. Por que acreditar, então, que Jesus faria a diferença? Que teria poder de interferir e modificar seus destinos? Chama-nos a atenção o fato de que Jesus não faz nada para provar uma sua suposta ‘superioridade’ ou um ‘algo a mais’ que os seus compatriotas não possuíam. Ao contrário, parece ser Jesus aquele que se escandaliza diante da sua ‘incredulidade’. É ele que fica decepcionado e indignado com a reação daqueles que ele conhecia bem: parentes, amigos e membros de comunidade. Para Jesus parece ser natural curar, acolher os pecadores, expulsar demônios, anunciar a graça e a esperança. Despertar, enfim, a fé nas pessoas. Fé não tanto na sua pessoa quanto em Deus e na sua justiça! Para Jesus parece ser esta uma missão a ser acolhida e assumida por todos. Com maior razão pelos seus patrícios que conhecem a sua coerência de vida! É justamente aí que se dá o maior fechamento. Um fruto maduro da inveja, do ciúme, da mesquinhez e pequenez humana. Jesus nos ensina que os profetas e as profetisas estão entre nós. Não possuem muita exposição e fama. E seu prestígio não é divulgado e comercializado. Têm rostos conhecidos. Nada de misterioso de suas vidas nos é ocultado. É na ‘invisibilidade e no silêncio’ de suas escolhas corajosas e coerentes que se esconde a sua ‘força moral’ capaz de construir uma nova humanidade. Uma nova ‘pátria’. Não construída por ‘messias’ glamorosos e por ‘salvadores’ carismáticos, mas por um povo de profetas e profetisas que não cansam de curar as feridas de agonizantes sem pátria e sem esperança.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Belo Monte: indígenas exigem cumprimento das condicionantes. Depois de 3 anos IBAMA nada fez!


Mais de 300 índios acampados no sítio Pimental, no Rio Xingu, desde 21/6, prometem só sair depois que sejam cumpridas as condicionantes. A Funai informou nesta quinta (5/7) que recomendou o início da execução do Plano Ambiental (PAB) indígena e que continuará a reapresentá-lo nas aldeias da região. A ação, independentemente de qualquer vinculação com movimentos sociais da região, marca uma das maiores mobilizações contra a barragem e já conta com 350 indígenas, de 21 aldeias e nove diferentes etnias. “Viemos mostrar que o processo de licenciamento de Belo Monte tem atropelado o cumprimento das condicionantes”, disse o indígena Mukuka do povo Xikrin. A falta de cumprimento das condicionantes indígenas previstas para a liberação da obra foi o motivo da ocupação da ensecadeira – espécie de barragem provisória –, no Pimental. Demarcação de terra, retirada de não índios dos territórios, navegabilidade do rio, adequação do atendimento à saúde e melhorias na educação são algumas das reivindicações que até agora não foram atendidas pela empresa e pelo poder público.
São 38 as condicionantes indígenas apresentadas há quase três anos pela Funai para a concessão da Licença Prévia, mas quase nada saiu do papel e o pouco que saiu não foi totalmente cumprido. A responsabilidade pelo cumprimento das condicionantes é do Ibama que, por sua vez, consulta a Funai no que diz respeito aos índios. À Funai cabe fiscalizar e sugerir procedimentos que julgar importantes. A Norte Energia tem de cumprir as determinações do Ibama.O Ibama emitiu a Licença de Instalação sem esperar a aprovação do PBA indígena por parte dos povos interessados e pela Funai. Enquanto os descasos continuam, os índios lançam mão de suas armas e continuam as negociações com os empreendedores. No próximo encontro com a Norte Energia, marcado para o dia 9, em Altamira, espera-se que a Funai não brilhe por sua ausência e que o Ministério Público Federal acompanhe as negociações. Agora é esperar para ver quais serão as novas promessas e se elas desta vez serão cumpridas. (Fonte:ISA)

O sagrado vendido e comercializado. Teologia da prosperidade avança!

"O discurso da "opção preferencial pelos pobres" da Igreja Católica não tem sido capaz de evitar o fim do monopólio católico no país. O que se difunde no Brasil é a doutrina de Joãozinho Trinta: "Pobre gosta é de luxo", escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia. Segundo ele, "a lógica econômica tem prevalecido sobre a dinâmica puramente religiosa. A teologia da prosperidade tem atendido melhor as expectativas de consumo e os interesses egoísticos das diferentes camadas sociais". "Atualmente, o que se considera sagrado é o consumo - afirma o demógrafo. O crescimento das correntes evangélicas pentecostais no país tem sido compatível com o fato de que o sagrado está cada vez mais comercializado e dessacralizado. É o Brasil cada vez mais desencantado".Não será fácil também reverter a debandada do rebanho quando o Vaticano assume na Rio+20 posições anacrônicas, contra os direitos sexuais e reprodutivos. A Igreja Católica pode virar o jogo, mas terá de mudar o discurso e a prática.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Polícia libera suspeitos de assassinato de um índio e os Munduruku põem fogo no quartel!


O quartel da Polícia Militar em Jacareacanga, município do oeste do Pará distante 1.162 km da capital, foi invadido na noite de segunda-feira, saqueado e queimado por 50 índios Munduruku. O incêndio seria represália ao assassinato, há quinze dias, do índio Lelo Akay, morto a facadas e pauladas durante assalto por dois homens que chegaram a ser presos, mas foram soltos pelos militares. Quatro pessoas são suspeitas do crime. Akay levava consigo algumas pepitas de ouro, que foram roubadas pelos criminosos. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a morte do índio e a destruição do quartel. O delegado Sílvio Maués, diretor de polícia do interior, informou que reforços já foram enviados para restabelecer a ordem em Jacareacanga. Os índios continuam na cidade, prometendo incendiar bares suspeitos de vender drogas. Cerca de 500 índios estariam na cidade à procura dos matadores de Akay. Segundo Maués, dos quatro suspeitos do crime, dois tiveram a prisão preventiva decretada e foram presos. Os outros estão em liberdade. Para o delegado, a revolta dos índios seria a permanência em liberdade dos outros suspeitos. Após queimar tudo o que encontraram pela frente dentro do quartel sem encontrar qualquer resistência dos militares, que fugiram, os índios se apossaram de duas metralhadoras e um revólver calibre 38. Um grupo numeroso de índios teria se deslocado para a cidade de Itaituba também para protestar contra a morte de Akay e encontrar os suspeitos do crime. O quartel da PM no município entrou de prontidão (Notícias da Amazônia)

No Peru população resiste aos projetos de mineração: 5 mortos e numerosos feridos. Igreja se propõe a ser mediadora.

O ex-Presidente da Conferência Episcopal do Peru e Bispo emérito de Chimbote, Dom Luis Bambaren, denunciou a violência eclodida na província de Celendín, na região de Cajamarca (norte do Peru), onde a população manifesta contra a realização do projeto extrativista Conga, e solicitou a mediação da Igreja Católica, oferecida pela Conferência Episcopal Peruana (CEP). A região viveu um novo dia de tensão nesta quarta-feira devido aos enfrentamentos entre a polícia e os manifestantes que se opõem ao projeto mineiro. Os confrontos deixaram cinco mortos nas últimas 24 horas e terminaram com a detenção de um dos principais líderes dos protestos, o ex-sacerdote Marco Arana. Arana foi detido "por causar distúrbios" na cidade de Cajamarca, segundo informou a polícia, mas imagens reproduzidas pela imprensa mostraram que ele estava sentado no banco de um parque com outras duas pessoas quando foi rendido violentamente e sem prévio aviso por policiais. O movimento de Arana respalda as organizações sociais e o governo regional de Cajamarca, ambos opostos à exploração de ouro no projeto Conga, porque assegura que danificará de forma permanente o meio ambiente e as reservas de água. Em nota, Dom Bambaren pede que o governo central e as organizações sociais de Cajamarca aceitem imediatamente a mediação do Padre Gaston Garatea, proposta pela CEP. O bispo jesuíta destaca que Padre Garatea é um sacerdote com muita experiência e bem aceito nas comunidades andinas, e poderia indicar o melhor para o desenvolvimento daquela região. O projeto mineiro, que prevê um investimento de US$ 4,8 bilhões, recebeu a aprovação do governo depois que a empresa Yanacocha concordou implicitamente com as novas condições impostas pelo presidente Ollanta Humala para sua execução, entre elas a de aumentar a capacidade dos reservatórios de água que a empresa construirá. (Agência Fides)